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Opinião
Educação e pandemia

Alexandre Rands Barros
Economista

Publicado em: 10/04/2021 03:00 Atualizado em: 10/04/2021 07:24

Se há um consenso formado entre os economistas nos últimos 35 anos é que a educação é o motor do desenvolvimento econômico. Geraldo Vieira, um tio meu, engenheiro, gostava sempre de citar que o desenvolvimento de longo prazo só pode ser atingido com investimento nas pessoas. A boa qualidade e quantidade de educação são esses principais investimentos, como têm enfatizado os economistas. Não é subsidiando indústria, como gosta de defender a esquerda retrógrada, ou vendendo armas, como defendem os idiotas da realidade paralela, que um país consegue se desenvolver. Há uma correlação positiva e muito forte entre nível de educação da população e desenvolvimento. Para não se achar que isso decorre apenas da promoção da educação que o próprio desenvolvimento gera, os economistas já mostraram que investimentos em educação hoje aceleram o crescimento econômico nos próximos anos, como bem demonstraram países como Coreia do Sul e China. O Brasil também, com milagre e tudo, mostrou que nem Deus consegue subverter a necessidade da educação para acelerar o crescimento econômico. O Grande Fracasso (desempenho pífio da economia brasileira desde 1950, como tenho denominado em livro atualmente em elaboração) decorreu da falta de promoção da educação por consequência de articulações sociais hegemônicas perversas.

Coletei dados da Unesco sobre a proporção do número de dias em que as escolas foram fechadas devido à pandemia, desde março de 2020 nos diversos países. Essa proporção foi em relação ao número de dias em que elas deveriam estar funcionando. Ou seja, retirou-se do período, os dias em que elas deveriam estar paradas por causa de recessos escolares. Essas estatísticas foram combinadas com os dados da OCDE sobre desempenho médio por país no PISA 2018 (exame internacional que compara formação de estudantes, com a mesma idade, em vários países). A média das notas médias em leitura, matemática e ciências foi considerada como a medida de desempenho no PISA. Ela foi tomada como um indicador de prioridade da educação, pois países que realmente investem mais esforço em educação são aqueles cujos alunos têm melhor desempenho nesse teste. A comparação entre esses dois indicadores mostra que há uma correlação negativa entre proporção de dias de escolas paradas e desempenho escolar. Ou seja, os países que possuem maior desempenho no PISA tenderam a suspender menos as aulas nas escolas.

O governo federal brasileiro na sua versão atual já demonstrou que educação não é sua prioridade. Reduziu os gastos públicos nessa política social e em ciência e tecnologia e até agora só pôs idiotas à frente do MEC. Entretanto, o fechamento excessivo de escolas tem a participação grande dos governos estaduais e municipais, além dos sindicatos de professores. Bancos, transportes públicos, hospitais e supermercados, por sua vez, permaneceram abertos. Todos são essenciais e deveriam mesmo funcionar na adversidade. No entanto, países que querem se desenvolver, contudo, deveriam e incluíram escolas entre essas atividades prioritárias. A média da proporção de dias com escolas fechadas foi de 33,09% para um conjunto de 73 países para os quais há dados para as duas estatísticas mencionadas acima. No Brasil, essa proporção foi de 72,95%. Essa disparidade revela as prioridades de nossa sociedade e governos.

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