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Opinião
Governadores pelo Clima

Sérgio Xavier (Ex-secretário de Meio Ambiente e Sustentabilidade de Pernambuco e coordenador no CBC de projetos internacionais para Implementação do Acordo de Paris)
e Guilherme Syrkis (Diretor-executivo do Centro Brasil no Clima - CBC)

Publicado em: 28/10/2020 03:00 Atualizado em: 28/10/2020 06:18

O Brasil tem uma escolha estratégica nos próximos anos. Dependendo das decisões governamentais, poderá saltar da 8ª economia convencional do planeta - medida pelo velho PIB poluidor - para a 1ª economia verde da Terra - medida por indicadores de inclusão, biodiversidade e sustentabilidade. Com o Acordo de Paris exigindo uma nova civilização de baixo carbono para atenuar as já evidentes mudanças climáticas, florestas, agroindústria ecoeficiente e energias renováveis, abundantes no Brasil, estarão em alta no século 21.  

Considerando que a Amazônia é imprescindível para a estabilidade climática planetária, vários países estão dispostos a investir na sua preservação, compreendendo o conceito de Pagamentos por Serviços Ambientais – PSA. Este é um instrumento econômico já aplicado em muitos lugares, com potencial para ser um mecanismo global, tornando as florestas ativos financeiros vivos e ajudando a elevar a renda de comunidades que preservam o meio ambiente. Isso vale também para a Caatinga, o Cerrado, a Mata Atlântica e o Pantanal, que perdeu mais de 4 milhões de hectares com os incêndios deste ano.

Com potencialidades, reconhecidas internacionalmente, o Brasil deveria aproveitar suas gigantescas vantagens naturais para (1) criar novos modelos de bionegócios - baseados em PSA, bioindústrias extrativistas, biotecnologias e na emergente precificação do carbono; (2) intensificar a geração e integração de energias renováveis - usando sol, vento e biomassa para produzir e exportar Hidrogênio Verde a partir do Nordeste, se conectando com a crescente demanda da Europa e Ásia; (3) formar profissionais para o irreversível avanço da economia verde - podendo oferecer serviços inovadores para o mundo; (4) fortalecer seus produtos agrícolas - com ecocertificações altamente requisitadas nos mercados internacionais; (5) integrar metas de reflorestamento e regeneração de bacias hidrográficas aos planos regionais de licitação do novo marco legal do saneamento, atraindo  investimentos que conectam ciclos de água e carbono; (6) gerar milhões de empregos sustentáveis, sem riscos de colapsos no futuro, aproveitando eternamente seu berço esplêndido natural e pesquisando, conhecendo e mantendo vivo seu poderoso patrimônio ecológico.

Em vez de retrocessos, o Brasil precisa acelerar no caminho da nova economia de baixo carbono e gerar emprego e renda sustentáveis. Em vez de afastar parceiros estratégicos internacionais, precisamos é de mais intercâmbio e integração. E nesse contexto, os estados têm papel fundamental de integração nacional.

Com esta convicção, o Centro Brasil no Clima – CBC, unindo forças com instituições internacionais e com governos estaduais, avança na estruturação do movimento suprapartidário “Governadores pelo Clima”, lançado em 2019, sob a liderança de Alfredo Sirkis (1950-2020). Em seu imenso legado de ativista ecopolítico, destaca-se a recente obra Descarbonário, que aponta caminhos promissores para a economia do (des)carbono.  

Visando agregar ideias, abrir canais de intercâmbio global e atrair investimentos para novas cadeias produtivas sustentáveis, o CBC realiza nesta quinta (29/10) – 14h, em canais digitais) o I Encontro Internacional Governadores Pelo Clima.

Além de governadores brasileiros de todas as regiões, participam Yvon Slingenberg, diretora de Ação Climática da Comissão Europeia, Jerry Brown, ex-governador da Califórnia e representantes dos movimentos de governadores dos Estados Unidos e da Argentina.

No encontro, será apresentada Carta de Compromisso para institucionalizar o Conselho de Governadores pelo Clima e criar sua base executiva, composta por representantes indicados pelos governadores, para construir uma agenda estratégica nacional e internacional. O documento ressalta o papel central dos governos subnacionais no esforço global para manter o aquecimento da Terra abaixo de 2°C e acelerar a transição para uma economia limpa e inclusiva, que beneficiará a segurança, saúde e prosperidade de toda a população. “A urgente recuperação econômica deve ser impulsionada por processos integrados, que possam simultaneamente regenerar ecossistemas, fortalecer empresas e gerar muitos empregos”, destaca o texto. 

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