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Opinião
A educação na centralidade do desenvolvimento sustentável

Neide Marques de Barros
Administradora

Publicado em: 25/09/2020 03:00 Atualizado em: 25/09/2020 06:14

O Rotary abre oportunidades – contribui para um mundo melhor ao incentivar práticas que expandem e disseminam o conhecimento coletivo transformador. Aqui neste espaço, a tratativa do tema Educação Básica e Alfabetização enseja um olhar amplo para os reflexos nos indicadores de desenvolvimento de um povo.

Como será o cenário do nosso Brasil nos próximos 5 anos onde 46,6% (IBGE) das pessoas de 25 anos ou mais de idade se concentram nas faixas classificadas como sem instrução (6,4%), com ensino fundamental incompleto (32,2%) e ensino fundamental completo (8%)? Segundo dados indicados na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua 2019), o Nordeste possui índices inferiores, em relação às demais regiões do país. Há de se observar também que o processo regular de escolarização já poderia ter sido concluído pelo público dessa faixa etária, situação que impacta negativamente nos índices de qualidade de vida.

O acervo bibliográfico sobre educação é vasto, no entanto inúmeros fatores contribuem para alargar a distância entre a teoria e a prática.  Sentimos o resultado decorrente dos baixos índices registrados na educação, que refletem em todas as dimensões do desenvolvimento sustentável.

Valioso estudo foi realizado pelo Grupo de Trabalho Aberto sobre Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Assembleia Geral e pelas Nações Unidas (2014), quando a partir do mesmo, foram elaborados os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e 169 metas (ONU), compondo assim a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável necessária à transformação do mundo para melhor, com fundamento na Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Neste contexto, integrado e indivisível, a educação está contemplada no Objetivo 4: “Assegurar a educação inclusiva e equitativa e de qualidade, e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos”.

Em mais um indicador - a FIB (Felicidade Interna Bruta) – observa-se o aspecto da complementaridade por considerar os índices de desenvolvimento social. Estes índices são auxílio para a medição do grau de desenvolvimento de um país, tendo a “educação” no escopo, à vista do seu impacto no IDHS – (Índice de Desenvolvimento Humano Sustentável). Ressalta-se que não somente o PIB – (Produto Interno Bruto), é indicador do progresso de uma nação. Os critérios quantitativos, baseados em estatísticas econômicas, por vezes mascaram problemas sociais profundos, como desigualdade de renda, desigualdade social e qualidade de vida.

Convém observar que nesse indicador FIB (Felicidade Interna Bruta), a educação também é indissociável dos demais indicadores relacionados a:  padrão de vida; boa governança; estado de saúde; diversidade cultural; resiliência ecológica; vitalidade comunitária; uso equilibrado do tempo; e bem-estar psicológico e espiritual.

À vista dos exemplos exitosos no campo da educação X desenvolvimento, é imperiosa a necessidade de implementação de boas práticas adaptadas à cada realidade, com observância das diferenças regionais, econômicas, socioculturais,  ambientais e também políticas.  É imperiosa a necessidade de continuidade e de flexibilidade para acompanhar as mudanças. É também relevante ressaltar a importância da capacitação de agentes multiplicadores do conhecimento para a construção de uma agenda positiva capaz de promover a melhoria contínua dos índices na área da educação – fonte do desenvolvimento integrado e sustentável.

E nesse tema “Educação”, vale chamar a atenção para um poema do poeta paraibano de Itabaiana, Zé da Luz, que embora trágico, traduz uma forte realidade do efeito devastador que o analfabetismo produz, em todas as suas faces num mundo que não queremos ver. Este poema chama-se Confissão de Caboclo, também conhecido como É crime não saber lerm. Nele, o poeta narra o desespero do personagem que não sabia ler, matou a esposa porque pensava que o bilhete que ela entregara a um homem fosse traição - uma declaração de amor. Triste desfecho, onde o personagem se declarou perante a Justiça duas vezes criminoso: por não saber ler e por ter assassinado a mulher que amava. Morreu também dentro de si.  Quantos crimes ainda veremos por não considerar todas as faces da ausência do processo educativo eficaz que mata um povo – que mata o país?

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