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Opinião
Educação para a vida

Dianne Melo
Coordenadora de Programas Sociais no Itaú Social

Publicado em: 17/01/2020 03:00 Atualizado em: 17/01/2020 08:46

Todos os dias, desde o momento em que acordamos, recebemos estímulos que vão se multiplicando a partir das nossas práticas sociais nas atividades que realizamos. A resposta a essas demandas está em grande parte relacionada ao domínio das formas de representação escrita e numérica, da nossa capacidade de fazer escolhas e de interagir com o mundo.
 
Por outro lado, sabemos que são marcantes as dificuldades de acesso à leitura e à escrita de qualidade, em especial para as populações mais vulneráveis. A escola, como espaço privilegiado para o ingresso de crianças, adolescentes e jovens nesse universo, precisa conduzir uma formação que lhes permita compreender a realidade que os envolve e nela agir.
 
O Sistema de Avaliação de Educação Básica - 2017, conforme dados de estudo elaborado em março pelo Todos pela Educação, aponta que 60,7% dos estudantes do 5º ano do Ensino Fundamental apresentam aprendizado adequado em Português e 48,9%, em Matemática. É nesta etapa da escolaridade que se observam os maiores progressos, com melhoria significativa desde 2007. Essa curva, porém, perde força nos anos finais do Ensino Fundamental e fica estagnada no Ensino Médio. Ao final do 9º ano, os percentuais são de 39,5% e 21,5%, respectivamente. Às portas de entrar na faculdade e na vida profissional, apenas 29,1% dos estudantes que concluíram o Ensino Médio têm aprendizagem adequada em Português e 9,1% em Matemática.
 
É necessário investir em metodologias que valorizem os letramentos como ferramentas que potencializam o exercício da cidadania. Cabe, então, à escola garantir o acesso democrático à leitura e à escrita, além de promover situações concretas para a resolução de problemas de modo a inserir todos os estudantes numa cultura letrada.
 
A formação de educadores tem papel estratégico no aprimoramento das práticas pedagógicas, incidindo sobre os conteúdos colocados à disposição de crianças e adolescentes. Um esforço nesse sentido, o Programa Letras e Números, iniciativa do Itaú Social, elege a formação como eixo catalisador, capaz de favorecer tanto a aprendizagem das habilidades de leitura, escrita e matemática, como de contribuir para estimular a formulação de políticas públicas que possibilitem melhor aprendizagem.
 
À medida que acessam novos conhecimentos e se conectam com os avanços das áreas em que atuam, os profissionais de educação ganham autonomia e segurança para ensinar, repensar suas práticas pedagógicas, compreender melhor as novas gerações e engajá-las nos próprios processos de aprendizagem, contribuindo assim para a efetivação do direito ao desenvolvimento das habilidades de leitura, escrita e matemática, no contexto de uma educação pública de qualidade para todos.

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