Diario de Pernambuco
Diario de Pernambuco
Opinião
Matriz energética do Brasil em discussão

Tiago Fraga
Presidente do Grupo FRG e do 4º Congresso Brasileiro de Geração Distribuída, dias 13 e 14 de novembro, no Centro de Convenções, em Olinda

Publicado em: 07/11/2019 03:00 Atualizado em: 06/11/2019 21:54

O Brasil é um país abençoado de fontes renováveis e, com forte tendência, de se tornar um dos maiores mercados de energia limpa do mundo. Para alcançar esse patamar basta aumentar a matriz energética, diminuir o custo da eletricidade e, consequentemente, ampliar a estabilidade dos consumidores. A energia renovável é absolutamente necessária para o desenvolvimento do país e vai ser o foco principal do 4º Congresso e Feira Brasileira de Geração Distribuída, que, pela primeira vez, acontece em Pernambuco, nos dias 13 e 14 de novembro, das 8h30 às 18h, no Centro de Convenções, em Olinda. Em paralelo, também haverá, o Fórum Energy Storage Brasil, uma feira de armazenamento de energia e a 4ª ExpoGD – Feira Brasileira de Geração Distribuída.
 
O evento, já consolidado como um dos mais importantes do setor na América Latina, é realizado pelo Grupo FRG e organizado em parceria com a Associação Brasileira de Geração Distribuída (ABGD). A iniciativa traz soluções, tecnologias inovadoras, estudos técnicos/científicos e  novidades industriais no campo das energias renováveis além de discursões sobre o atual cenário da geração distribuída, barreiras regulatórias, impedimentos jurídicos e as perspectivas de crescimento para o setor em fontes alternativas de energias como a solar, eólica, biomassa e as pequenas centrais hidrelétricas (PCHs).
 
A 4ª Feira Brasileira de Geração Distribuída (4ª ExpoGD) é uma oportunidade ímpar de negócios e contará com a participação das principais empresas atuantes no setor, no Brasil e no exterior, para compartilhar e discutir soluções tecnológicas, procedimentos comerciais, estratégias de mercado e informações que impulsionem o crescimento Geração Distribuída na Matriz Energética Brasileira. Ao todo estão sendo esperadas cerca de 80 marcas, sendo 15 delas do exterior, tendo como destaques as empresas Fronius e Sonnenkraft, da Áustria; a americana Amphenol, a canadense Canadian e, em especial as chinesas Sungrow, BYD, Solis Inverters, Já Solar e Talesun, além de empresa da Suíça.
 
A expectativa do evento é receber um público de 5 mil visitantes nos dois dias da feira e movimentar cerca de R$ 200 milhões em negócios com a venda de produtos e serviços, novas máquinas e equipamentos e os últimos lançamentos em soluções tecnológicas para o setor em nível global.  A feira, aberta ao público, gratuitamente, é uma possibilidade de network completo e troca de experiências que irá movimentar a cadeia produtiva do setor de energias renováveis.
 
Estão confirmadas palestras, debates e mesas redondas com os principais especialistas e distribuidores/provedores de soluções do mercado de geração distribuída. Em pauta, temas de interesse da sociedade e do segmento, como as políticas públicas para a Geração Distribuída (GD), análise do mercado, os novos modelos de negócios, além de considerações gerais sobre o mercado de geração distribuída em Pernambuco, no Brasil e no mundo, com palestrantes de renomes nacionais como os empreendedores Rodrigo Schreiner (Solaris Energia), Júnior Cosmos(Cosmos Energy), Raphael Vale(Coober) e Ananias Gomes, diretor-presidente da Insole (PE) e diretor regional da ABGD.  

Outras fontes alternativas de energia, como a eólica, as PCHs e a biomassa, que faz uso de material orgânico de origem vegetal e mineral, também ganharão destaques no encontro. A biomassa, que possui hoje a maior representatividade na matriz energética nacional, no que se diz respeito a geração renovável, terá um painel de destaque no evento.
 
Os dados da Geração Distribuída no Brasil são bastante expressivos com mais de 130 mil conexões e unidades consumidoras. São aproximadamente 10 mil empresas na cadeia produtiva e milhares de empregos gerados de forma direta e indireta. Existem 126.416 usinas instaladas, com 169.787 unidades consumidoras que recebem créditos dessas usinas e uma potência total instalada de 1.601.098,65 kW. O Nordeste é destacado por vários estudos, inclusive da ANEEL, como a região de maior incidência solar no país, porém, seu potencial ainda não totalmente aproveitado. A região possui um total de 17.347 usinas geradoras (o que corresponde a 14% do total de usinas), sendo que 2.326 dessas usinas são de Pernambuco, o terceiro estado com mais usinas na região.

Sobre Vidas: Nivia e o empoderamento de mulheres no Coque
DP Auto na Tóquio Motor Show - Tudo sobre a Nissan
Sérum, pele natural, sombras coloridas e blush cremoso
Lula: sou um homem melhor do que aquele que entrou na cadeia

Resistência nordestina em cartaz

Diego Rocha *
Celebrando a resistência da arte nordestina e a arte nordestina de resistir, o 21º Festival Recife do Teatro Nacional está em cartaz na cidade para confirmar a vocação de um povo à resiliência e à criatividade. Até o próximo dia 24, a programação montada com muita assertividade pela Prefeitura do Recife irá apresentar 12 espetáculos em vários teatros da cidade, entre eles seis montagens nacionais jamais vistas na capital do Nordeste.
Mas não está toda no ineditismo a urgência que esses espetáculos carregam. Mas também e principalmente na referência e reverência que muitos fazem à estética e às temáticas fincadas no árido solo fértil do Nordeste. Alguns textos, como o da montagem Ariano %u2013 O Cavaleiro Sertanejo, da companhia carioca Os Ciclomáticos sequer foram produzidos no Nordeste. Mas sabem, bebem e comungam do povo que somos. Foram buscar inspiração em autores ensolarados como Ariano Suassuna e os tantos tipos e símbolos que ele fundou e transportou do imaginário nordestino para o mundo.
Há na programação citações ainda mais explícitas à nossa produção teatral. Parido do punho do próprio Ariano, em carne e pena, o clássico Auto da Compadecida chega ao Festival com sotaque mineiro, numa belíssima montagem do Grupo Maria Cutia, com a direção cênica precisa e sensível de Gabriel Villela, que conseguiu unir a cultura do cangaço pernambucano ao barroco mineiro, sem sair da trilha aberta pelo Movimento Armorial de Ariano.
São montagens que nos representam e, ao mesmo tempo, nos apresentam a nós mesmos, além de nos hastear bandeira a congregar territórios artísticos, afetivos e cívicos, num país assombrado e repartido por um projeto de poder excludente. Em cima e embaixo dos palcos, durante e depois do 21º Festival Recife do Teatro Nacional, que a arte e a força nordestina persistam farol aceso a nos guiar.

* Presidente da Fundação de Cultura Cidade do Recife

Galeria de Fotos
Grupo Diario de Pernambuco