Diario de Pernambuco
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Opinião
Viva os professores! Vivaaaaa!!!

Gustavo Figueirêdo
Especialista em saúde mental e psicólogo clínico

Publicado em: 15/10/2019 03:00 Atualizado em: 15/10/2019 08:59

No dia 15 de outubro é celebrado o Dia dos Professores. Profissão para a qual devemos, sempre, oferecer reverência. Reverência! O que é isto?: “Respeito profundo por alguém ou algo, em função das virtudes, qualidades que possui ou parece possuir; consideração, deferência.”.

Segundo o psiquiatra espanhol Francisco Alonso-Fernández espelha no seu livro - Por que trabalhamos?: o trabalho entre o estresse e a felicidade - “A grandeza do professor consiste em viver com profunda satisfação pessoal a sua mais nobre função específica, talvez a mais nobre de todas as ocupações possíveis.”.

Com muito respeito, ao caro Alonso-Fernández, mas muito respeito mesmo; eu não diria: “..., talvez a mais nobre de todas as ocupações possíveis.”; e sim, com toda certeza – a mais nobre de todas as ocupações possíveis. Enfim, só sou (psicólogo) e você só é o que somos hoje, porque desde a educação de base fomos acolhidos e orientados, metodologicamente, por um professor.

Ainda, de acordo com Dr. Francisco Alonso: “A crise familiar e geracional se transmite nos centros escolares de múltiplas maneiras. Uma delas é a ideia de extrapolar a função educacional familiar nas aulas como se fosse uma obrigação acadêmica.”.

Não generalizando, mas confesso que me assusta, hoje em dia, a quantidade de crianças que estão inseridas em processos psicoterapêuticos. Haja vista, assim como nas escolas, como nas psicoterapias, será que as causas estejam nos menores? Ou esteja cabendo aos adultos (aos pais), juntamente com os seus, aprenderem a construir a harmonia domiciliar?

Com a prática desta sublime edificação doméstica (a busca pela harmonia), ganham os membros familiares e ganha a escola. Esta última deixando de realizar “matrículas” para alunos incompatíveis ao aprendizado, tipo: “a crise familiar”. Isto é, sem a presença deste “alunato” (a crise familiar), todos ganham.

No entanto, caros pais, como fazer diante da sua dinâmica familiar, para neste quinze de outubro, possamos oferecer de presente aos professores, os quais assistem os nossos filhos, que não seja mais permitido o ingresso de alunos indesejáveis, em prol do aprendizado?

Por fim, quero ofertar, carinhosamente, os meus parabéns a todos os professores. Viva os professores! Vivaaaaa!!!

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Resistência nordestina em cartaz

Diego Rocha *
Celebrando a resistência da arte nordestina e a arte nordestina de resistir, o 21º Festival Recife do Teatro Nacional está em cartaz na cidade para confirmar a vocação de um povo à resiliência e à criatividade. Até o próximo dia 24, a programação montada com muita assertividade pela Prefeitura do Recife irá apresentar 12 espetáculos em vários teatros da cidade, entre eles seis montagens nacionais jamais vistas na capital do Nordeste.
Mas não está toda no ineditismo a urgência que esses espetáculos carregam. Mas também e principalmente na referência e reverência que muitos fazem à estética e às temáticas fincadas no árido solo fértil do Nordeste. Alguns textos, como o da montagem Ariano %u2013 O Cavaleiro Sertanejo, da companhia carioca Os Ciclomáticos sequer foram produzidos no Nordeste. Mas sabem, bebem e comungam do povo que somos. Foram buscar inspiração em autores ensolarados como Ariano Suassuna e os tantos tipos e símbolos que ele fundou e transportou do imaginário nordestino para o mundo.
Há na programação citações ainda mais explícitas à nossa produção teatral. Parido do punho do próprio Ariano, em carne e pena, o clássico Auto da Compadecida chega ao Festival com sotaque mineiro, numa belíssima montagem do Grupo Maria Cutia, com a direção cênica precisa e sensível de Gabriel Villela, que conseguiu unir a cultura do cangaço pernambucano ao barroco mineiro, sem sair da trilha aberta pelo Movimento Armorial de Ariano.
São montagens que nos representam e, ao mesmo tempo, nos apresentam a nós mesmos, além de nos hastear bandeira a congregar territórios artísticos, afetivos e cívicos, num país assombrado e repartido por um projeto de poder excludente. Em cima e embaixo dos palcos, durante e depois do 21º Festival Recife do Teatro Nacional, que a arte e a força nordestina persistam farol aceso a nos guiar.

* Presidente da Fundação de Cultura Cidade do Recife

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