Diario de Pernambuco
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Opinião
Ser conselheiro é honroso, mas trabalhoso

Cláudio Sá Leitão
Conselheiro pelo IBGC e CEO da Sá Leitão da Auditores e Consultores

Publicado em: 12/10/2019 03:00 Atualizado em:

O Conselho de Administração (CA) é o órgão máximo de governança que tem como objetivo principal zelar pela visão e pela estratégia da Companhia (Cia). Já se foi o tempo em que boa parte das Cias ocupava o CA com profissionais de idade avançada e aposentados, bem como o utilizavam como palco para ilustres figurantes que marcavam presença nas reuniões por serem amigos de acionistas ou de investidores. A partir das novas regras de Governança Corporativa (GC), surgiu uma maior diversidade de perfis, que passaram a exigir dos conselheiros mais experiência e responsabilidade. Ser conselheiro nesses novos tempos, requer uma postura mais ativa e comprometida, necessitando uma maior compreensão, por parte dele, quanto aos riscos inerentes à função, não apenas relacionados com os seus bens pessoais, como também à sua reputação. Qualquer conduta inadequada da administração da Cia ou de seus funcionários podem trazer consequências sérias aos seus conselheiros, os quais podem ser responsabilizados por ação ou omissão. É essencial que o conselheiro seja capaz de compreender os riscos do negócio, analisar o que lhe for apresentado e ser capaz de identificar as inconsistências. É inadmissível que ele não esteja apto para a leitura dos relatórios contábeis e financeiros, seja qual for a sua formação e experiência profissional. Ao assumir o cargo no CA, o conselheiro tem a responsabilidade de zelar pela ética, pela transparência, pela prestação de contas e pela sustentabilidade do negócio, além dos cuidados com o compliance e com o meio ambiente. Atuar em um CA pode ser considerado por alguns especialistas como o topo da pirâmide da vida de um profissional. Afinal, os conselheiros agem e atuam não apenas para “cumprir tabela”, mas para exercer a função no nível mais alto do poder e de capacidade de decisão de uma Cia. Essa função requer competência e dedicação. Atualmente, não há espaço para conselheiros figurantes e vaidosos, tipo àqueles de novela, com cabelos brancos e de paletó com colete, que apenas balançam a cabeça e concordam com tudo. Por isso, ao aceitar um convite, o conselheiro deve ter conhecimento das regras básicas da GC, que se tornaram mais rígidas com o tempo, além de não esquecer da impossibilidade de atuar como executivo, isto é, deve deixar de lado essa atividade. Lembrando, também, que a avaliação da sua motivação pode contribuir para melhorar com a GC, mantendo sempre o olhar voltado para o futuro da Cia.  O exercício dessa função de conselheiro requer uma atuação da sua atividade com muita dedicação, responsabilidade e prazer, sempre procurando fazer o melhor, de forma a gerar valor para a Cia. Em suma, o CA não pode ser tratado como um stand de homenagens, nem tampouco como ambiente para figurões, pois ao ser convidado para a exercer a função, o conselheiro deve se sentir honrado, porém ciente do quanto será trabalhoso. Trata-se de um cargo que exige envolvimento e comprometimento do conselheiro, sendo um fórum de trabalho que traz consigo a obrigatoriedade de cumprir as regras rígidas sobre a administração da Cia, por parte dos board members. Tudo isso é para se ter uma Cia. mais sólida, ética e competitiva. 

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Resistência nordestina em cartaz

Diego Rocha *
Celebrando a resistência da arte nordestina e a arte nordestina de resistir, o 21º Festival Recife do Teatro Nacional está em cartaz na cidade para confirmar a vocação de um povo à resiliência e à criatividade. Até o próximo dia 24, a programação montada com muita assertividade pela Prefeitura do Recife irá apresentar 12 espetáculos em vários teatros da cidade, entre eles seis montagens nacionais jamais vistas na capital do Nordeste.
Mas não está toda no ineditismo a urgência que esses espetáculos carregam. Mas também e principalmente na referência e reverência que muitos fazem à estética e às temáticas fincadas no árido solo fértil do Nordeste. Alguns textos, como o da montagem Ariano %u2013 O Cavaleiro Sertanejo, da companhia carioca Os Ciclomáticos sequer foram produzidos no Nordeste. Mas sabem, bebem e comungam do povo que somos. Foram buscar inspiração em autores ensolarados como Ariano Suassuna e os tantos tipos e símbolos que ele fundou e transportou do imaginário nordestino para o mundo.
Há na programação citações ainda mais explícitas à nossa produção teatral. Parido do punho do próprio Ariano, em carne e pena, o clássico Auto da Compadecida chega ao Festival com sotaque mineiro, numa belíssima montagem do Grupo Maria Cutia, com a direção cênica precisa e sensível de Gabriel Villela, que conseguiu unir a cultura do cangaço pernambucano ao barroco mineiro, sem sair da trilha aberta pelo Movimento Armorial de Ariano.
São montagens que nos representam e, ao mesmo tempo, nos apresentam a nós mesmos, além de nos hastear bandeira a congregar territórios artísticos, afetivos e cívicos, num país assombrado e repartido por um projeto de poder excludente. Em cima e embaixo dos palcos, durante e depois do 21º Festival Recife do Teatro Nacional, que a arte e a força nordestina persistam farol aceso a nos guiar.

* Presidente da Fundação de Cultura Cidade do Recife

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