Diario de Pernambuco
Diario de Pernambuco
Opinião
Os homens (ainda) não vão ao médico

Roberto Lucena
Doutor em Urologia e presidente da Sociedade Brasileira de Urologia - Seccional Pernambuco

Publicado em: 24/10/2019 03:00 Atualizado em: 24/10/2019 08:51

Historicamente, homens vão menos ao médico do que as mulheres. Esse problema é um verdadeiro tabu já que muitos homens não conseguem sequer ir ao médico sozinho ou por iniciativa própria. De acordo com uma pesquisa do Centro de Referência em Saúde do Homem em 2018, cerca de 70% deles só vão a consultas médicas acompanhados. O estudo conclui ainda que mais de 50% dos homens só procuram ajuda médica quando o sintoma já está avançado, muitas vezes necessitando de intervenção cirúrgica.

Esse problema é muito sério e diz bastante sobre a forma que nossa sociedade e os próprios homens tratam sua própria saúde. Muitos só passam a se preocupar com a necessidade de acompanhamento médico quando chegam próximo dos 50 anos que é idade recomendada para o início do acompanhamento anual via exame de próstata. Esse, talvez, seja o maior medo masculino: tanto o tabu do toque no exame, quanto o próprio resultado do que dali pode aparecer.

O câncer de próstata é o segundo tipo de câncer mais comum entre os homens brasileiros (atrás apenas do câncer de pele não-melanoma), segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA). É por isso que durante o mês de novembro a Sociedade Brasileira de Urologia promove o  #NovembroAzul, cujo foco é conscientizar, desmistificar e reforçar a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de próstata.

A boa notícia é que hoje em dia temos técnicas avançadas e bastante seguras para as cirurgias, caso seja necessário. O método da cirurgia robótica é mais ágil e seguro do que os métodos tradicionais, otimizando os resultados em cirurgias que antes ofereciam riscos aos pacientes - seja durante o procedimento ou no pós, evitando sequelas e complicações. Na urologia é uma ferramenta eficaz na remoção do temido câncer de próstata, além de ser usado em outros casos, como o  tratamento da varicocele, ambas relacionadas com a impotência sexual e infertilidade masculinas.

A necessidade do acompanhamento médico periódico e do autoexame masculino, que muitos homens sequer sabem que existe, é algo que deve ser levado durante toda a vida. O Novembro Azul passa, mas a necessidade da conscientização tem que durar por um bom tempo, pelo menos até os homens entenderem que lugar de homem é no médico, cuidando da sua saúde.

Sobre Vidas: Nivia e o empoderamento de mulheres no Coque
DP Auto na Tóquio Motor Show - Tudo sobre a Nissan
Sérum, pele natural, sombras coloridas e blush cremoso
Lula: sou um homem melhor do que aquele que entrou na cadeia

Resistência nordestina em cartaz

Diego Rocha *
Celebrando a resistência da arte nordestina e a arte nordestina de resistir, o 21º Festival Recife do Teatro Nacional está em cartaz na cidade para confirmar a vocação de um povo à resiliência e à criatividade. Até o próximo dia 24, a programação montada com muita assertividade pela Prefeitura do Recife irá apresentar 12 espetáculos em vários teatros da cidade, entre eles seis montagens nacionais jamais vistas na capital do Nordeste.
Mas não está toda no ineditismo a urgência que esses espetáculos carregam. Mas também e principalmente na referência e reverência que muitos fazem à estética e às temáticas fincadas no árido solo fértil do Nordeste. Alguns textos, como o da montagem Ariano %u2013 O Cavaleiro Sertanejo, da companhia carioca Os Ciclomáticos sequer foram produzidos no Nordeste. Mas sabem, bebem e comungam do povo que somos. Foram buscar inspiração em autores ensolarados como Ariano Suassuna e os tantos tipos e símbolos que ele fundou e transportou do imaginário nordestino para o mundo.
Há na programação citações ainda mais explícitas à nossa produção teatral. Parido do punho do próprio Ariano, em carne e pena, o clássico Auto da Compadecida chega ao Festival com sotaque mineiro, numa belíssima montagem do Grupo Maria Cutia, com a direção cênica precisa e sensível de Gabriel Villela, que conseguiu unir a cultura do cangaço pernambucano ao barroco mineiro, sem sair da trilha aberta pelo Movimento Armorial de Ariano.
São montagens que nos representam e, ao mesmo tempo, nos apresentam a nós mesmos, além de nos hastear bandeira a congregar territórios artísticos, afetivos e cívicos, num país assombrado e repartido por um projeto de poder excludente. Em cima e embaixo dos palcos, durante e depois do 21º Festival Recife do Teatro Nacional, que a arte e a força nordestina persistam farol aceso a nos guiar.

* Presidente da Fundação de Cultura Cidade do Recife

Galeria de Fotos
Grupo Diario de Pernambuco