Diario de Pernambuco
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Opinião
Investimentos em educação

Janguiê Diniz
Mestre e doutor em Direito - fundador e presidente do Conselho de Administração do grupo Ser Educacional

Publicado em: 25/10/2019 03:00 Atualizado em: 25/10/2019 09:10

O Brasil, apesar dos avanços, ainda investe pouco na educação de suas crianças e jovens. É o que mostra o estudo Education at a Glance, divulgado pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e realizado com 46 países. Curiosamente, o Brasil faz investimentos acima da média no setor, mas o gasto por aluno é menor que a média da Organização.

O estudo mostrou que o Brasil investiu 4,2% do Produto Interno Bruto (PIB) na área de educação, do ensino fundamental ao médio e técnico, no ano de 2016 – último levantamento. A média dos países da OCDE foi de 3,2%. Na contramão desses dados, os gastos por estudantes foram muito abaixo da média: por exemplo, US$ 3.700 por aluno do ensino fundamental 2, ante a média de US$ 10.200; e US$ 4.100 no médio e técnico, frente a um gasto médio de US$ 10.000 dos países pesquisados. Ou seja, apesar de termos um investimento percentual maior, o absoluto ainda é baixo.

Isso pode ser influenciado pelo fato de sermos um país enorme, com grande número de estudantes. O percentual do PIB dedicado à educação se torna um pouco maior por isso, mas, quando se divide o montante pela quantidade de alunos, o investimento individual ainda é baixo. Há uma clara ineficiência no investimento dos recursos da educação.

Outro dado preocupante do levantamento feito pela OCDE é o do salário médio dos professores. Os docentes brasileiros recebem menos que a média dos países pesquisados e seu salário é ao menos 13% menor que o salário médio dos trabalhadores brasileiros que possuem formação superior. Algo de se estranhar – e questionar –, uma vez que o professor é o responsável por formar todas as outras profissões, difundir saber e orientar o estudante.

Ainda temos um longo caminho para chegarmos à devida valorização desse profissional, que enfrenta tantos desafios em sua lida. É inadmissível que um país que pretende se dizer desenvolvido invista tão pouco nos profissionais da educação. Uma nação não sai de um estágio de subdesenvolvimento se não pela educação. É o conhecimento que expande as mentes e liberta o indivíduo; e o professor é um dos mais importantes vetores de disseminação do saber.

O Brasil insiste em não dar a devida importância à educação. Como querer prosperar dessa forma? Dar assistência e infraestrutura aos estudantes significa garantir um futuro melhor para o país. É, sim, um investimento a longo prazo, mas que não pode ser preterido. Caso contrário, seremos sempre o país do futuro, mas nunca do presente.

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Resistência nordestina em cartaz

Diego Rocha *
Celebrando a resistência da arte nordestina e a arte nordestina de resistir, o 21º Festival Recife do Teatro Nacional está em cartaz na cidade para confirmar a vocação de um povo à resiliência e à criatividade. Até o próximo dia 24, a programação montada com muita assertividade pela Prefeitura do Recife irá apresentar 12 espetáculos em vários teatros da cidade, entre eles seis montagens nacionais jamais vistas na capital do Nordeste.
Mas não está toda no ineditismo a urgência que esses espetáculos carregam. Mas também e principalmente na referência e reverência que muitos fazem à estética e às temáticas fincadas no árido solo fértil do Nordeste. Alguns textos, como o da montagem Ariano %u2013 O Cavaleiro Sertanejo, da companhia carioca Os Ciclomáticos sequer foram produzidos no Nordeste. Mas sabem, bebem e comungam do povo que somos. Foram buscar inspiração em autores ensolarados como Ariano Suassuna e os tantos tipos e símbolos que ele fundou e transportou do imaginário nordestino para o mundo.
Há na programação citações ainda mais explícitas à nossa produção teatral. Parido do punho do próprio Ariano, em carne e pena, o clássico Auto da Compadecida chega ao Festival com sotaque mineiro, numa belíssima montagem do Grupo Maria Cutia, com a direção cênica precisa e sensível de Gabriel Villela, que conseguiu unir a cultura do cangaço pernambucano ao barroco mineiro, sem sair da trilha aberta pelo Movimento Armorial de Ariano.
São montagens que nos representam e, ao mesmo tempo, nos apresentam a nós mesmos, além de nos hastear bandeira a congregar territórios artísticos, afetivos e cívicos, num país assombrado e repartido por um projeto de poder excludente. Em cima e embaixo dos palcos, durante e depois do 21º Festival Recife do Teatro Nacional, que a arte e a força nordestina persistam farol aceso a nos guiar.

* Presidente da Fundação de Cultura Cidade do Recife

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