Diario de Pernambuco
Diario de Pernambuco
Opinião
Este texto é para você

Rogério Morais
Diretor Executivo Pedagógico da Secretaria de Educação do Recife

Publicado em: 11/10/2019 03:00 Atualizado em: 11/10/2019 09:36

Patrícia é médica pediatra. Daniel é professor da educação infantil. Célia é juíza. Paulo é recreador, trabalha com festas infantis. Margarida é jornalista. Sérgio é jardineiro. Julia é arquiteta urbanista. Thiago é empresário. Uma coisa em comum: todos são diretamente envolvidos com o tema da primeira infância.

O desafio de garantir direitos para todos na primeira infância, período que vai do 0 aos 6 anos de idade, é multissetorial. Primeiro, porque envolve o olhar de praticamente todos os serviços públicos: educação, saúde, assistência social, habitação e segurança social, por exemplo. Segundo, também pode ser compreendido como prioridade por organizações dos outros setores da economia, ou seja: por empresas privadas, igrejas, entidades de classe e fundações. Terceiro, não distingue classe social: o bem comum só é atingido e reforçado se ricos e pobres tiverem a mesma oportunidade.

Como diz um provérbio africano, “é preciso toda uma aldeia para educar uma criança”. Somente através de uma forte campanha de sensibilização em relação ao tema, utilizando estratégias de comunicação como as usadas em campanhas da saúde (combate ao tabagismo, vacinação, prevenção contra o câncer de mama, etc), poderemos experimentar uma aceleração da percepção da necessidade de uma grande aliança para a primeira infância, seja no nível global ou local.

A primeira infância é a maior prioridade da cidade. Uma criança acolhida com vínculos afetuosos e não exposta a situações de estresse prolongado (estresse tóxico), tende a ser um adulto mais feliz, com melhor nível de escolaridade e renda, mais saudável e menos propenso a cometer crimes. Como comprovado por um Nobel renomado de economia, o americano James Heckman, é o melhor investimento que um governo pode fazer. Para cada 1 dólar investido neste período, o retorno econômico é de 8 dólares.

O certo é que aqui no Recife já demos a largada para empreender nesta caminhada. No final do ano passado, aprovamos o nosso Marco Legal da Primeira Infância e, agora, vamos fazer o primeiro Plano Municipal da Primeira Infância, com o desejo de produzir a maior escuta social feita na história desta cidade. Quanto mais contribuições integrarem o processo, maior a pluralidade e o comprometimento.

Toda criança nasce com o mesmo potencial cognitivo. Todos largamos do mesmo ponto. Portanto, a solução mais efetiva para o combate às desigualdades é dar as mesmas condições para o filho do rico e para o filho dos pobres. O futuro do Recife exige uma resposta unida dos seus mais de 1,5 milhão de cidadãos.

Sobre Vidas: Nivia e o empoderamento de mulheres no Coque
DP Auto na Tóquio Motor Show - Tudo sobre a Nissan
Sérum, pele natural, sombras coloridas e blush cremoso
Lula: sou um homem melhor do que aquele que entrou na cadeia

Resistência nordestina em cartaz

Diego Rocha *
Celebrando a resistência da arte nordestina e a arte nordestina de resistir, o 21º Festival Recife do Teatro Nacional está em cartaz na cidade para confirmar a vocação de um povo à resiliência e à criatividade. Até o próximo dia 24, a programação montada com muita assertividade pela Prefeitura do Recife irá apresentar 12 espetáculos em vários teatros da cidade, entre eles seis montagens nacionais jamais vistas na capital do Nordeste.
Mas não está toda no ineditismo a urgência que esses espetáculos carregam. Mas também e principalmente na referência e reverência que muitos fazem à estética e às temáticas fincadas no árido solo fértil do Nordeste. Alguns textos, como o da montagem Ariano %u2013 O Cavaleiro Sertanejo, da companhia carioca Os Ciclomáticos sequer foram produzidos no Nordeste. Mas sabem, bebem e comungam do povo que somos. Foram buscar inspiração em autores ensolarados como Ariano Suassuna e os tantos tipos e símbolos que ele fundou e transportou do imaginário nordestino para o mundo.
Há na programação citações ainda mais explícitas à nossa produção teatral. Parido do punho do próprio Ariano, em carne e pena, o clássico Auto da Compadecida chega ao Festival com sotaque mineiro, numa belíssima montagem do Grupo Maria Cutia, com a direção cênica precisa e sensível de Gabriel Villela, que conseguiu unir a cultura do cangaço pernambucano ao barroco mineiro, sem sair da trilha aberta pelo Movimento Armorial de Ariano.
São montagens que nos representam e, ao mesmo tempo, nos apresentam a nós mesmos, além de nos hastear bandeira a congregar territórios artísticos, afetivos e cívicos, num país assombrado e repartido por um projeto de poder excludente. Em cima e embaixo dos palcos, durante e depois do 21º Festival Recife do Teatro Nacional, que a arte e a força nordestina persistam farol aceso a nos guiar.

* Presidente da Fundação de Cultura Cidade do Recife

Galeria de Fotos
Grupo Diario de Pernambuco