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Opinião
Editorial A indústria em apuros

Publicado em: 08/10/2019 03:00 Atualizado em: 08/10/2019 08:52

A indústria brasileira passa por maus momentos e não existem perspectivas de melhora, pelo menos nos próximos cinco anos. A produção industrial mundial cresceu 10% desde 2014, enquanto a atividade das fábricas do país caiu 15% no mesmo período. São vários os fatores que contribuíram para que o setor não se recuperasse dos efeitos negativos da recessão de 2015 a 2016. Destacam-se a queda nas exportações para a Argentina, a retração do setor de extração mineral, depois das tragédias do rompimento das barragens de Mariana e Brumadinho, em Minas Gerais, e a greve dos caminhoneiros de maio do ano passado.

Economistas estimam que, se nada for feito urgentemente, o Brasil pode deixar o seleto grupo das 10 nações mais industrializadas do mundo, com efeitos desastrosos para o país. A previsão, para este ano, é de que deve haver uma nova retração na área que responde por cerca de 11% do Produto Interno Bruto (PIB).

Além dos efeitos negativos da última recessão, os diferentes choques que a atividade industrial sofreu e os incontáveis problemas na infraestrutura nacional podem explicar a disparidade do desempenho da indústria brasileira e as de outros países emergentes, onde, excluindo a China, a produção das fábricas cresceu 8%, desde 2014, enquanto, na América Latina, a queda foi de 4%. Pior: o Brasil foi o destaque negativo entre as maiores economias da região.

Especialistas apontam que, à exceção da Argentina, às voltas com uma crise econômica que se prolonga, e dos problemas gravíssimos da Venezuela, as dificuldades da indústria brasileira são as mais graves e profundas da América Latina e as expectativas não são nada boas para o futuro próximo. Hoje, o país ocupa a 9ª posição no ranking das economias mais industrializadas do planeta e, brevemente, pode deixar de aparecer entre as 10 primeiras, o que seria um desastre quando se tem mais de 12 milhões de desempregados formais.

A questão é que os problemas estruturais e de competitividade não são solucionados, a complexa estrutura tributária inibe investimentos e o parque industrial permanece obsoleto. Na realidade, em 2013, a atividade do setor, no Brasil, começou a cair, mas, no restante do mundo, continuou crescendo e, atualmente, está 40 pontos percentuais à frente.

A verdade é que parcela significativa de empresários não investiu para aumentar a competitividade e governos adotaram políticas equivocadas, como a liberação de recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a juros subsidiados, para alguns escolhidos a dedo pelo dono da chave do cofre de plantão.

Diante do quadro atual, impõe-se a adoção, por parte do governo, de uma concisa e coerente política industrial para que atividade tão importante para a economia não perca seu protagonismo local e mundial.

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