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Opinião
5ª Conferência mobiliza cerca de 40 mil mulheres em Pernambuco

Silvia Cordeiro
Secretária da Mulher de Pernambuco

Publicado em: 30/10/2019 03:00 Atualizado em: 30/10/2019 09:42

Cerca de 40 mil mulheres se mobilizam em Pernambuco, discutem e apontam propostas para avançar nas políticas públicas para elas. Esse movimento ascendente das mulheres aconteceu nas conferências municipais ocorridas, em sua maioria, nos Organismos Municipais de Políticas Públicas para as Mulheres existentes nos 184 municípios e no Distrito de Fernando de Noronha. Num momento em que o cenário nacional se apresenta com reformas restritivas de direitos para as mulheres, economia em desaceleração e cortes na política voltada para as minorias da população, a voz feminina ecoa do Sertão, do Agreste, Zonas da Mata Norte e Mata Sul e da Região Metropolitana, por políticas públicas mais inclusivas para as mulheres nos espaços de poder e controle social, prevenção e enfrentamento da violência contra a mulher, autonomia econômica, educação inclusiva, não sexista, não racista, não lesbofóbica, não transfóbica e laica, saúde, direitos reprodutivos e direitos das mulheres a cidades mais seguras e inclusivas.

Essa é a pauta das mulheres que será consolidada na 5ª Conferência Estadual de Políticas Públicas para as Mulheres que tem como tema central: Mulher e Democracia: Uma Agenda de Luta por Direitos Iguais. O grande fórum com a participação de 620 delegadas eleitas em cada cidade e mais de 200 convidados (as) acontece nas próximas quarta (30) e quinta-feira (31), em Gravatá. Esse movimento feminino é resultado da força das mulheres de periferia, trabalhadoras rurais, pescadoras, trabalhadoras domésticas, empreendedoras, servidoras públicas e tantas outras pernambucanas que vão aos fóruns fazer política porque sabem que a construção de uma nação, estado e cidade melhor é alicerçada no pleito da população cidadã.

A política estruturadora do Governo de Pernambuco voltada para as mulheres segue. O estado é o único da federação a realizar a conferência estadual para as mulheres após uma escuta de mulheres e homens, representantes da sociedade civil e dos governos municipais ocorrida em cada município no período de 23 de julho a 9 de outubro passado.

As mulheres de Pernambuco demonstram o quanto têm sido fundamentais esses momentos em todas as regiões, uma vez que se realiza a ausculta da população e se observa o cenário de cada território. Nós mulheres sabemos que essas ações geram dados para estruturação de equipamentos e ações que melhorem a qualidade da vida de todas as pessoas com planejamento e inclusão da nossa pauta nos orçamentos que são instrumentos de planejamento dos governos. São eles: o Plano Plurianual (PPA), a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e a Lei Orçamentária Anual (LOA). 

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Resistência nordestina em cartaz

Diego Rocha *
Celebrando a resistência da arte nordestina e a arte nordestina de resistir, o 21º Festival Recife do Teatro Nacional está em cartaz na cidade para confirmar a vocação de um povo à resiliência e à criatividade. Até o próximo dia 24, a programação montada com muita assertividade pela Prefeitura do Recife irá apresentar 12 espetáculos em vários teatros da cidade, entre eles seis montagens nacionais jamais vistas na capital do Nordeste.
Mas não está toda no ineditismo a urgência que esses espetáculos carregam. Mas também e principalmente na referência e reverência que muitos fazem à estética e às temáticas fincadas no árido solo fértil do Nordeste. Alguns textos, como o da montagem Ariano %u2013 O Cavaleiro Sertanejo, da companhia carioca Os Ciclomáticos sequer foram produzidos no Nordeste. Mas sabem, bebem e comungam do povo que somos. Foram buscar inspiração em autores ensolarados como Ariano Suassuna e os tantos tipos e símbolos que ele fundou e transportou do imaginário nordestino para o mundo.
Há na programação citações ainda mais explícitas à nossa produção teatral. Parido do punho do próprio Ariano, em carne e pena, o clássico Auto da Compadecida chega ao Festival com sotaque mineiro, numa belíssima montagem do Grupo Maria Cutia, com a direção cênica precisa e sensível de Gabriel Villela, que conseguiu unir a cultura do cangaço pernambucano ao barroco mineiro, sem sair da trilha aberta pelo Movimento Armorial de Ariano.
São montagens que nos representam e, ao mesmo tempo, nos apresentam a nós mesmos, além de nos hastear bandeira a congregar territórios artísticos, afetivos e cívicos, num país assombrado e repartido por um projeto de poder excludente. Em cima e embaixo dos palcos, durante e depois do 21º Festival Recife do Teatro Nacional, que a arte e a força nordestina persistam farol aceso a nos guiar.

* Presidente da Fundação de Cultura Cidade do Recife

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