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Opinião
Transplantes: o verde da esperança

André Longo
Secretário estadual de Saúde

Publicado em: 21/09/2019 03:00 Atualizado em: 23/09/2019 09:36

Setembro marca, no Brasil, o mês para ressaltarmos a importância da doação de órgãos e tecidos.  Em nosso Estado, a Central de Transplantes (CT-PE) foi criada por decreto estadual no final de 1994 e começou a funcionar em janeiro de 1995. Ela foi a primeira do Norte e Nordeste e precede até mesmo a criação do Sistema Nacional de Transplantes, de 1997. Desde então, mais de 21 mil vidas foram salvas graças a um gesto nobre de solidariedade das famílias que autorizaram o ato, além do trabalho dedicado e permanente dos profissionais de saúde responsáveis pela sensibilização dos familiares e pela captação e transplante dos órgãos.

Todo esse esforço colocou o estado em patamar de destaque no Brasil no quesito doação de órgãos e tecidos. Em 2018, ficamos em 2º lugar no país em transplantes de rim por milhão de habitantes. Também figuramos em 1º lugar no Norte e Nordeste no número de procedimentos de rim, coração, pâncreas e medula óssea. Além de números, isso mostra a excelência dos serviços prestados no Estado, beneficiando pernambucanos e, como o Sistema Único de Saúde (SUS) não tem barreiras, pacientes de diversas regiões do país.

Para alcançar esse destaque nacional, a Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE), por meio da Central de Transplantes, tem investido na capacitação dos profissionais de saúde para qualificar o diagnóstico da morte encefálica, quando o paciente pode doar órgãos (coração, rim, pâncreas, fígado) e tecido (córnea), e a manutenção das funções vitais do potencial doador. A Central também atua permanentemente na capacitação das equipes que atuam nas entrevistas familiares, momento indispensável para explicar a importância do ato e ir em busca de um sim que pode salvar diversas vidas.

Apesar de todos os esforços e a priorização do tema pelo Governo Paulo Câmara, mais de 1,3 mil pessoas ainda aguardam um órgão ou tecido em Pernambuco, quantitativo que chegou a 3 mil em 2011. Essa fila só reforça a necessidade de conversamos permanentemente sobre o assunto. Cada indivíduo que queira ser doador precisa informar aos seus familiares mais próximos do seu desejo, já que a doação no Brasil precisa ser autorizada por um parente de até segundo grau. Essa conversa prévia torna mais fácil a autorização em um momento que, sabemos, é de dor, mas que pode se transformar também em um momento de esperança para quem está aguardando pela doação.

Por isso, mais do que uma cor, setembro retoma a possibilidade de nós, enquanto sociedade, pensarmos em fazer o bem ao próximo. Esse é um momento de desmistificarmos o tema, torná-lo um assunto comum que pode e deve ser discutido no nosso dia a dia. Nós temos a possibilidade de, mesmo após a morte, ajudarmos quem precisa. Basta um simples sim, que se transforma em um novo sopro de vida para quem aguarda esse tão esperado dia.

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