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Opinião
Editorial Violência contra mulheres

Publicado em: 06/08/2019 03:00 Atualizado em: 06/08/2019 09:24

É assustador. É revoltante. É inaceitável. Faltam adjetivos para qualificar fato que, dia a dia, ganha mais visibilidade.  Mulheres, cada vez mais jovens, são vítimas da violência doméstica. Vale o exemplo de Brasília. A capital do Brasil apresenta números assustadores. No ano passado, as delegacias registraram 14.985 ocorrências — 1.048 das quais envolvendo menores de 18 anos. Dizem que as estatísticas mascaram as cifras. Tornam-nas impessoais, abstratas, distantes do indivíduo, que não se sente tocado por elas, talvez por lhes desconhecer a abrangência, a profundidade e a carga de horror que escondem.

Daí o didatismo de lhes baixar o nível de abstração. Os quase 15 mil casos significam uma notificação de 35 em 35 minutos. Em bom português: a cada caminhada do ponteiro pelo mostrador do relógio praticamente dois seres humanos sofrem agressões. A barbárie raramente vem de fora, fruto de acidente ou acaso. Gente de casa — pai, marido, namorado, padrasto — responde pela maior parte dos ataques. Tomados de fúria, eles voltam aos tempos das cavernas e fazem valer a lei do mais forte. Batem, chutam, espancam, dão socos e pontapés. Não matam por sorte. Muitas vítimas desfalecem, o que lhes dá a impressão de terem chegado ao ponto final.

A violência contra a mulher não se restringe ao Distrito Federal. É prática generalizada de norte a sul do país. A imprensa divulgou no ano passado 68 mil casos, 43% dos quais com vítimas menores de 14 anos de idade. Não só. Os feminicídios vêm ganhando cada vez mais espaço em jornais, rádios e tevês. Em 2018, 15.925 foram notícia. Maridos responderam por 95% dos atos extremos. O cruel na história é que o desenlace não constitui surpresa. A cada 10 mulheres mortas três já tinham sofrido agressões anteriores.

Há fortes razões para acreditar que as cifras sejam bem mais graves que as divulgadas. Especialistas alertam para a subnotificação. Mulheres sofrem violência doméstica, mas não a denunciam. As razões para não buscar os direitos são vários — vergonha, ignorância, medo de vingança, dependência econômica, submissão afetiva, desejo de manter a família unida. Também descrença de encontrar solução. Em seis anos, 6.393 mulheres perderam a vida apesar de terem procurado atendimento.  

Na semana em que a Lei Maria da Penha completa 13 anos, é bom lembrar narrativas de covardia que envergonham as consciências civilizadas do mundo. A norma trouxe avanços. Um deles, sem dúvida, foi o estímulo à denúncia. Em 2018, houve mais de 92 ligações para a Central de Atendimento à Mulher em Situação de Violência (Disque 180). Impõe-se avançar. Além da repressão, é indispensável investir na prevenção. A educação exerce papel primordial no processo de mudança de comportamento. Família, escola, Igreja, clubes sociais, meios de comunicação devem fazer a sua parte. Sem demora. A hora é ontem.

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