Diario de Pernambuco
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Opinião
"Marcados" pela Oficina de Criação Literária

Raimundo Carrero
Jornalista e membro da Academia Pernambucana de Letras
raimundocarrero@gmail.com

Publicado em: 12/08/2019 03:00 Atualizado em: 12/08/2019 09:37

Eis o nome: Zuleide Lima , e um livro: “Marcados”. Estou falando do romance que acaba de ser lançado  no  Recife com selo de Décio Gomes e diagramação de Bruno Lira. Aluna da Oficina de Criação Literária que mantenho no Espinheiro, Zuleide é uma dessas escritores obstinadas e persistentes, muito empenhada no dia a dia da literatura, sem nunca parar com a busca da obra perfeita.

Começou a estudar comigo, ou melhor, com todos da turma, sem nunca se meter a líder e a criar sub-oficinas - surgiu até uma dom carrero, no intuito de enfrentar o professor, com aquilo que não sabia e não vai saber jamais, até porque oficina não é decoreba de gramática, mas experiência de escrita, de quem conhece ficção por fazer, autor de livros, de histórias, de personagens. Nunca fiz uma oficina de poesia porque sou ficcionista. Embora alguns reúnam a capacidade de fazer poesia em prosa, e prosa em poesia, com enorme competência. Mas é preciso ter experiência da escrita. Alguns são “Marcados” pela poesia e outros pela Prosa. Paulo Caldas tem saber  e tem obra. Preparadíssimo.

Há o caso de Marcelino Freire que tem obra nos dois campos, sem no entanto assinalar o gênero – poesia ou prosa. Competente, extremamente competente nos dois. Sempre foi assim. Portanto, autorizado a atuar aqui e ali. Marcelino Freire é o caso de escritor que estimula os outros escritores. Está sempre escrevendo, estudando, escrevendo. Sem esquecer, ainda o caso de Sidney Rocha, excelente escritor, também nos dois campo. Tanto acredito nele que pedi para escrever o posfácio de Colégio de Freiras.

Volto, assim, a Zuleide Lima, estudiosa, consciente dos seus propósitos. Apareceu na Oficina Cultura nordestina há cerca de cinco anos. Depois fomos para o Poço da Panela, em seguida para o Espinheiro. E ela sempre ali, escrevendo, estudando, escrevendo. O mesmo romance. Com uma crença incrível. Sem disputas, com incrível humildade. Por isso atinge o momento culminante,  publicação, embora o romance já tenha passado pela prova da internet, com milhares de leitores.

Destaque-se, ainda, que é uma obra de oficina, de aprendizado , que se vai construindo ao longo do tempo. Com a convicção de uma escritora que não se satisfaz em decorar os outros, mas inventa, inventa, inventa. Cada palavra é uma palavra somente sua.

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Resistência nordestina em cartaz

Diego Rocha *
Celebrando a resistência da arte nordestina e a arte nordestina de resistir, o 21º Festival Recife do Teatro Nacional está em cartaz na cidade para confirmar a vocação de um povo à resiliência e à criatividade. Até o próximo dia 24, a programação montada com muita assertividade pela Prefeitura do Recife irá apresentar 12 espetáculos em vários teatros da cidade, entre eles seis montagens nacionais jamais vistas na capital do Nordeste.
Mas não está toda no ineditismo a urgência que esses espetáculos carregam. Mas também e principalmente na referência e reverência que muitos fazem à estética e às temáticas fincadas no árido solo fértil do Nordeste. Alguns textos, como o da montagem Ariano %u2013 O Cavaleiro Sertanejo, da companhia carioca Os Ciclomáticos sequer foram produzidos no Nordeste. Mas sabem, bebem e comungam do povo que somos. Foram buscar inspiração em autores ensolarados como Ariano Suassuna e os tantos tipos e símbolos que ele fundou e transportou do imaginário nordestino para o mundo.
Há na programação citações ainda mais explícitas à nossa produção teatral. Parido do punho do próprio Ariano, em carne e pena, o clássico Auto da Compadecida chega ao Festival com sotaque mineiro, numa belíssima montagem do Grupo Maria Cutia, com a direção cênica precisa e sensível de Gabriel Villela, que conseguiu unir a cultura do cangaço pernambucano ao barroco mineiro, sem sair da trilha aberta pelo Movimento Armorial de Ariano.
São montagens que nos representam e, ao mesmo tempo, nos apresentam a nós mesmos, além de nos hastear bandeira a congregar territórios artísticos, afetivos e cívicos, num país assombrado e repartido por um projeto de poder excludente. Em cima e embaixo dos palcos, durante e depois do 21º Festival Recife do Teatro Nacional, que a arte e a força nordestina persistam farol aceso a nos guiar.

* Presidente da Fundação de Cultura Cidade do Recife

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