Joãozinho e a saudade de todos

Ítalo Rocha Leitão
Jornalista
opiniao.pe@diariodepernambuco.com.br

Publicado em: 20/08/2019 03:00 Atualizado em: 20/08/2019 06:27

O seu rosto de bondade e o seu sorriso de menino o acompanharam até seu último dia de vida. Nem o terno nem a gravata, postos na sua ascensão profissional, conseguiram lhe dar um ar contrastante de seriedade. A morte precoce de João Carneiro Campos, no dia 22 de junho deste ano, na véspera de completar seus 50 anos de vida, encheu de tristeza os corações da sua família e dos seus amigos. Um baque afetivo em todos que com ele conviviam. Joãozinho, como era chamado carinhosamente por familiares e amigos, era o tipo de pessoa que todo mundo queria interagir. Educado, simpático, cativante e amigo dos amigos. Sua ascensão profissional o deixou ainda mais humilde e acessível. Não modificou um milímetro sequer da sua personalidade.

Formado em Direito pela Universidade Federal de Pernambuco, em 1994, se tornou um profissional dedicado e logo ganhou prestígio e conceito no seio da categoria. Por sua desenvoltura, foi nomeado desembargador eleitoral do Tribunal Regional Eleitoral de  Pernambuco. A primeira vez, ficou no cargo de desembargador eleitoral de 2005 a 2007, e depois teve o mandato renovado para o biênio 2008 a 2010. No TRE, se destacou por sua inteligência, sua isenção e sua capacidade de discernimento. O próximo passo foi sua indicação, pelo governador Eduardo Campos, em 2011, para o cargo de conselheiro do Tribunal de Contas de Pernambuco. João Carneiro Campos teve seu nome aprovado por unanimidade pela Assembleia Legislativa.   

No dia 21 de junho, Joãozinho se dirigiu com a mulher Rosana e os filhos Luíza, João Pedro e José Henrique para um fim de semana todo especial na casa da família, em Gravatá, no Agreste. Apesar do clima agradável e de ser um período chuvoso, fazia sol. Ele aproveitou para fazer tudo que gostava. Andou a cavalo, fez churrasco, tomou banho de piscina. No dia seguinte, depois do café da manhã, cumpriu de novo sua rotina de lazer com a família e se recolheu um pouco para descansar antes de o almoço ser servido. Na casa, para a comemoração dos seus 50 anos, que seria no 23 de junho, estavam também hospedados o governador Paulo Câmara, a primeira-dama a Ana Luíza (sobrinha de João Carneiro Campos) e as filhas do casal Clara e Helena. De repente, o dono da casa passou mal. João Carneiro Campos ainda chegou a ser levado para o hospital local pelo governador Paulo Câmara, mas não resistiu ao enfarte fulminante.  

À missa de sétimo dia, no Santuário de Nossa Senhora de Fátima, no bairro da Boa Vista, no Recife, celebrada pelo padre Luciano Brito, vigário-geral da Arquidiocese de Olinda e Recife, centenas de pessoas compareceram para dar conforto à família de Joãozinho, uma prova do quanto ele era querido. Na celebração, o vigário-geral falou da importância da fé para superar a dor num momento de perda.

O momento de maior emoção, quando a maioria foi às lágrimas, se deu na hora em que uma carta da filha Luíza foi lida pelo primo Roberto. “Papai ficou aqui por pouco tempo, mas deu tempo de amar tanto e de ser tão amado, deu tempo de ensinar muita coisa a mim e a meus irmãos, deu tempo de viver tantos momentos felizes com a gente e com mamãe. É claro que a ausência dele dói demais, dói tanto que nem dá para explicar e sei que vai continuar a doer. Com o tempo eu sei que a frustração, o medo, a raiva e todos os sentimentos ruins vão embora, só vai ficar o seu amor, inesquecível, só vai ficar papai”.

João Carneiro Campos, curta seu descanso eterno porque pra sua família e pra seus amigos você será sempre Joãozinho, com um sorriso tímido no rosto e uma cara de gente boa !

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