A arma contra o sarampo é a vacina

André Longo
Secretário de Saúde de Pernambuco

Publicado em: 09/08/2019 03:00 Atualizado em: 09/08/2019 09:20

No final de julho, a Vigilância Epidemiológica de Pernambuco foi notificada de nove casos suspeitos de sarampo no estado. Desde então, em parceria com os municípios do Recife, Jaboatão dos Guararapes, Olinda, Bezerros e Caruaru, vem investigando os casos e realizando todas as medidas de controle e bloqueio. Os pacientes, com idades entre 16 e 19 anos, participaram de um mesmo evento de turismo em Porto Seguro, na Bahia, e lá tiveram contato com um monitor residente em São Paulo – estado que vive um surto da doença. Apesar de não termos registrado contágio dentro do nosso estado, o caso acende o alerta para todos que trabalham com Saúde e para a população em geral.

O sarampo é uma doença viral, com grande poder de contágio, que pode causar graves problemas de saúde, como pneumonia, cegueira, inflamação do cérebro e até mesmo a morte. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS) a doença está presente em 170 países no mundo. O Brasil, em 2016, havia recebido o selo de erradicação da doença. No entanto, em 2019, após um ano de transmissão sustentada da infecção no país, esse título foi perdido. Em nosso estado, não há registro da transmissão autóctone do sarampo desde 2000. No entanto, não vivemos isolados e o Brasil e o mundo circulam em Pernambuco. Até o último mês de julho, estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Roraima e Sergipe já tinham registrados casos da doença, que também está presente nas Américas do Norte e Latina, na Europa, Ásia e África.

Apesar desse cenário, a prevenção do sarampo é simples e está disponível a todos, perto de nossas casas. A doença é totalmente evitável por meio de uma vacina segura e eficaz, que além do sarampo ainda protege contra a caxumba e a rubéola. Mesmo assim, estamos registrando números preocupantes de cobertura vacinal em nossa população, o que cria bolsões de pessoas que podem contrair a doença. A cobertura média da primeira dose da vacina contra o sarampo está estagnada em 85%, menor do que os 95% recomendados pela OMS. Já para segunda dose (indicada para as crianças e adultos até 29 anos), a situação é ainda pior: 63%.

Esses dados só reforçam a necessidade do engajamento efetivo de toda a sociedade sobre importância da vacinação e os perigos do sarampo. Aqui em Pernambuco, por determinação do governador Paulo Câmara, o trabalho para coordenar as estratégias e promover ações de controle, vigilância e vacinação não para. Mas é necessário frisar que o poder público sozinho não vai conseguir vencer a batalha contra a doença. É preciso a união de todos os pernambucanos. E as nossa arma contra a doença está à disposição de todos no posto de saúde mais próximo de sua casa: a vacina tríplice viral!

Na dúvida, vacine. Esse é o recado e a forma mais rápida e segura de proteger nossa sociedade.

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