Diario de Pernambuco
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Opinião
Um padre sai da sacristia para a missa na caatinga

Raimundo Carrero
Jornalista e membro da Academia Pernambucana de Letras
raimundocarrero@gmail.com

Publicado em: 22/07/2019 03:00 Atualizado em: 22/07/2019 09:18

Seria apenas um... homem comum... um desses homens comuns  que atravessam o sertão no lombo de um burro... talvez um almocreve... em  busca de novos mundos... mas se transformou num personagem de ferro e punho na grandeza de um autor acostumado na luta com a palavra, com as frases... com a construção do texto... Assim é o padre João Câncio na perspectiva da biografia escrita por Vandeck Santiago e publicado agora pela DG (Design Gráfico), com apoio cultural da  Cepe – companhia Editora de Pernambuco, em seu invejável programa editorial, decisivo para as letras do Estado, sob a direção de Ricardo Leitão.

Chama-se João Câncio – O Padre Vaqueiro e registra a vida deste criador da Missa do Vaqueiro, que mobiliza centenas de pessoas na cidade de Serrita, no Sertão de Pernambuco, conhecida também como a terra do coronel Chico Romão, que marcou época naquela área. A Missa transfomou-a numa meca religiosa, sempre muito movimentada, embora quase sem ruas pavimentadas, com áreas de pobreza absoluta, sobretudo na periferia.

O personagem aparece muito forte em todas as páginas, sedimentadas naquele instante em que o padre descobre uma pequena cruz na terra árida e, acostumado à região, pergunta quem foi enterrado ali. Foi informado de que fora Raimundo Jacó, um vaqueiro solitário, vítima de intriga, ciúme e ódio. Temas trabalhados num texto denso, bem escrito, exemplar.

Soube-se, então, que Jacó foi enterrado no lugar onde foi assassinado. E daí para a ideia da Missa foi um salto. Homenageia-se a vítima, e , por extensão, o Homem da Região, na figura simbólica do Vaqueiro, profissão que Jacó exerce. Imediatamente, contou com a adesão de poetas, músicos, religiosos. E com a colaboração – até certo ponto, da diocese do Sertão.

Padre João Câncio foi ordenado pelo bispo dom Antônio Campelo, sediado em Petrolina, o mesmo que me crismou no final de 1950. Informa Vandeck que dom Antônio sempre deu grande apoio às iniciativa do padre, desde seminarista.

Episódio ainda marcante na vida do sacerdote é o casamento com Helena, num momento belo marcado, no entanto, de apreensão. Fez o pedido numa pequena viagem que fizeram para compromisso religioso. Apesar da surpresa de Helena, ao ouvir a corte, fizeram um magnífico casamento com filhos.

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