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Opinião
Maldade extrema e bondade infinita

Roque de Brito Alves
Membro da Academia Pernambucana de Letras

Publicado em: 04/07/2019 03:00 Atualizado em: 04/07/2019 09:27

1 – O drama ético e psicológico entre o bem e o mal existente em cada ser humano, já estava bem descrito pelo Apóstolo São Paulo quando afirmava que “não se fazia o bem que se queria, porém o mal que não se desejava” e tal drama muito humano tem aspectos teórico, filosófico e científico, além de ser encontrado também na ficção literária e em fatos criminosos terríveis ocorridos na realidade.

2 – N ficção literária podemos citar os personagens das tragédias gregas antes de Cristo e nas de Shakespeare (1564-1616) e na realidade os criminosos de grande perversidade como os denominados canibais que se alimentavam dos corpos das vítimas e os assassinos em série. Destacamos que existe até uma certa correspondência a tal respeito entre a imaginação literária e a vida. Personagens como Medeia, Aaron, Ricardo III e Macbeth ou os criminosos como Jeffrey Dahmer (Estados Unidos), Chikatilo e Pichushqin (Rússia) (“a vida sem matar é como uma vida sem alimentar-se”), Casal West (Inglaterra) como tipos de criminosos através dos quais a maldade atingiu o seu nível máximo, em uma verdadeira loucura moral criminosa.

3 – Recentemente, o enfermeiro alemão Niels Högel, assassino de 85 pacientes – talvez 200 sem comprovação porque os corpos foram queimados – condenado à prisão perpétua na Alemanha (não tem a pena de morte) e o Tribunal de Oldenburg afirmou na decisão que os crimes superavam os limites da própria razão humana “eram incompreensíveis”. Ou ainda, nesta segunda semana de junho de 2019 o médico William Husel, em Ohio, Estados Unidos, confessou ter assassinado 25 pacientes terminais com injeção para acelerar as suas mortes, condenado à prisão perpétua.

4 – Por outra parte, entendemos existir uma maldade do Estado, um verdadeiro sadismo estatal como ocorre nos Estados Unidos no tempo que pode existir para aplicação da pena de morte, o que se comprova do recentíssimo caso do assassino em série Robert “Bobby” Long (estupro e morte de 8 mulheres), de 65 anos que foi executado na Flórida no dia 23 de março p. passado, mais de 33 anos depois da sentença condenatória que foi em setembro de 1985! Nos Estados Unidos o condenado à pena de morte fica preso em uma cela solitária no pavilhão denominado “corredor da morte”, sofrendo uma verdadeira tortura mental que pode durar longos anos a espera do momento de sua execução e tudo isso em nome da Justiça ! ...

5 – Em polo oposto, afirmamos a existência de uma bondade infinita humana maior que a sua maldade, como podemos citar no exemplo, em um campo de concentração nazista na Polônia durante a última Grande Guerra, quando o padre polonês Maximiliano ofereceu-se para ser morto na câmara de gás em vez de um seu amigo judeu pois o mesmo “tinha família” e ele não, o que foi aceito pelo bárbaro comandante do campo, exemplo, assim, da maior caridade que é sacrificar a vida por um seu irmão. Ainda em tal sentido, podemos citar a bondade e a caridade que existiram nas vidas de São Francisco de Assis, São Vicente de Paulo, Madre Teresa de Calcutá e a irmã Dulce de Salvador (que se tornou santa). Assim sendo, o bem é sempre superior ao mal.

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