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Vistoria

Moradores retiram pertences de parte de imóvel que desabou em Afogados

Publicado em: 23/05/2019 13:35 | Atualizado em: 24/05/2019 08:38

Foto: Leandro de Santana/DP Foto. (Foto: Leandro de Santana/DP Foto.)
Foto: Leandro de Santana/DP Foto. (Foto: Leandro de Santana/DP Foto.)
Após o desabamento de um imóvel localizado na Rua Leônidas Cravo Gama, no bairro de Afogados, Zona Sul do Recife, as famílias foram até o local da tragédia para tentar recuperar pertences no interior das residências. Uma mulher morreu e dez pessoas ficaram feridas, entre elas duas crianças e dois adolescentes. Na manhã desta quinta-feira (23), o Corpo de Bombeiros descartou a presença de corpos embaixo dos escombros e encerrou as buscas após mais de 15 horas de trabalho. A Defesa Civil iniciou a vistoria no fim da manhã e autorizou a entrada dos moradores.

A parte de trás do imóvel, onde funcionavam cerca de quatro casas, foi toda destruída. A entrada, onde foram haviam três residências, teve a estrutura comprometida e deve ser demolida pela Defesa Civil ainda na tarde de hoje. Antes de a demolição ocorrer, algumas famílias tiveram acesso às casas para recuperar pertences. Não foi possível retirar móveis e eletrodomésticos por conta do acesso que estava precário.

A estudante Lúcia Gomes Nogueira, de 38 anos, conseguiu recuperar documentos, três ventiladores, uma televisão e alguns pares de roupa. "Foi muito triste ver minha casa toda acabada. Tive apenas 20 minutos para tirar tudo o que precisava e o que poderia carregar. Minha família mora longe de mim, então não sei para onde vou", lamentou a locatária que pagava R$ 300 de aluguel do kitnet, onde morava há cerca de dois meses.
 
 

Foto: Leandro de Santana/DP Foto. (Foto: Leandro de Santana/DP Foto.)
Foto: Leandro de Santana/DP Foto. (Foto: Leandro de Santana/DP Foto.)

O pintor José Severino dormiu na rua na madrugada da última quarta (22), por não ter para onde ir. "No momento da tragédia eu estava trabalhando. Perdi tudo o que eu tinha, que já era pouco. Agora é continuar a trabalhar para conseguir tudo novamente", disse. Severino conta ainda que chegou a alertar o proprietário do imóvel sobre rachaduras que via dentro da própria casa. "Várias vezes cheguei a telefonar para ele alertando sobre o perigo, mas ele dizia que não tinha risco. Nunca achei que pudesse acontecer dessa forma tão lamentável". 

Investigação
A Polícia Civil de Pernambuco informou que está investigando o caso. O titular da Delegacia de Afogados, delegado Igor Leite, está aguardando os resultados dos laudos no Instituto de Criminalística e da Defesa Civil para seguir com as diligências. Estiveram no local do desabamento na manhã desta quinta (23), Corpo de Bombeiros, Polícia Militar, Guarda Municipal, Defesa Civil, Conselho Estadual de Arquitetura e Urbanismo e o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Pernambuco (Crea).

"A causa vai ficar a cargo da Polícia Científica, que vai analisar e fazer os relatórios. Nós, da Defesa Civil, vamos avaliar os riscos do que ficou da estrutura e ainda precisa ser demolido. Essa é uma construção irregular com vários vícios construtivos que chegou a ser notificada pela Prefeitura para tomar providências e apresentasse um responsável pela obra, mas nada disso foi feito", comentou o secretário-executivo, coronel Cássio Sinomar.
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