Diario de Pernambuco
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Opinião
Habemus novum rector

Dilson Cavalcanti
Professor

Publicado em: 18/10/2019 03:00 Atualizado em: 18/10/2019 08:50

Depois de um longo período aguardando a nomeação pelo ministro da Educação, eis que, enfim, a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) pode comemorar: Habemus novum rector!

Não se trata apenas de um novo reitor, mas de uma nova visão, de um novo horizonte para a Academia.

Alfredo Macedo Gomes nasceu em 1964, na cidade de Ouricuri, Sertão de Pernambuco. O cabra tem orgulho de ser do interior e conhece bem essa realidade, afinal, foi autor de uma das mais importantes dissertações da área da Sociologia, na qual investigou o Imaginário Social da Seca e suas Implicações para a Mudança Social. Portanto, podemos esperar sensibilidade e compromisso com a recente identidade multicampi da universidade.

Ingressou como professor na UFPE em 1995, atuando no Departamento de Fundamentos Sócio-Filosóficos da Educação. É professor permanente e foi coordenador do Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGEdu). Além disso, desde 2016, é diretor do Centro de Educação. O professor Alfredo será o primeiro reitor da área da Educação e isso representa um grande feito na história da UFPE.

É um polímata com uma sólida formação multidisciplinar. Sua graduação foi em Psicologia (1990) e seu mestrado em Sociologia (1995), ambos pela Universidade Federal de Pernambuco. No doutorado, casou-se com a Educação, obtendo o PhD pela University of Bristol (2000). Além disso, realizou estágio pós-doutoral junto ao Centre for Globalization, Societies and Education, University of Bristol (2010-2011). Em suas próprias palavras, “o contato com essas três áreas de estudo me deu régua e compasso para ter a concepção de uma universidade pública plural, inclusiva e comprometida com o processo de transformação social (...), não podemos reduzir a universidade a uma espécie de organização social. Devemos ver a universidade como uma instituição integrada à sociedade e que precisa servi-la da melhor forma possível”.

Não poderia encerrar sem falar também de seu parceiro nessa empreitada, o nosso novo vice-reitor Moacyr Cunha de Araujo Filho, conhecido como Moa. Um grande e reconhecido cientista que coordena a Rede Brasileira de Pesquisas sobre Mudanças Climáticas Globais (Clima) e o Centro de Estudos e Ensaios em Riscos e Modelagem Ambiental (Ceerma). É um autêntico “gente boa”, alegre e comprometido na defesa do meio ambiente. Certamente, irá contribuir para a implantação de uma agenda de sustentabilidade ambiental e nas atuações da mesma com a sociedade.

Alfredo e Moa, uma combinação total, tipo queijo e vinho e queijo e goiabada. Sem dúvidas, teremos uma dupla incrível à frente da UFPE para nos guiar nesse momento de ataques à educação pública superior. Em meio às incertezas desse cenário turbulento, agora temos uma certeza, a UFPE está em boas mãos. Sigamos na construção de um futuro melhor.

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Resistência nordestina em cartaz

Diego Rocha *
Celebrando a resistência da arte nordestina e a arte nordestina de resistir, o 21º Festival Recife do Teatro Nacional está em cartaz na cidade para confirmar a vocação de um povo à resiliência e à criatividade. Até o próximo dia 24, a programação montada com muita assertividade pela Prefeitura do Recife irá apresentar 12 espetáculos em vários teatros da cidade, entre eles seis montagens nacionais jamais vistas na capital do Nordeste.
Mas não está toda no ineditismo a urgência que esses espetáculos carregam. Mas também e principalmente na referência e reverência que muitos fazem à estética e às temáticas fincadas no árido solo fértil do Nordeste. Alguns textos, como o da montagem Ariano %u2013 O Cavaleiro Sertanejo, da companhia carioca Os Ciclomáticos sequer foram produzidos no Nordeste. Mas sabem, bebem e comungam do povo que somos. Foram buscar inspiração em autores ensolarados como Ariano Suassuna e os tantos tipos e símbolos que ele fundou e transportou do imaginário nordestino para o mundo.
Há na programação citações ainda mais explícitas à nossa produção teatral. Parido do punho do próprio Ariano, em carne e pena, o clássico Auto da Compadecida chega ao Festival com sotaque mineiro, numa belíssima montagem do Grupo Maria Cutia, com a direção cênica precisa e sensível de Gabriel Villela, que conseguiu unir a cultura do cangaço pernambucano ao barroco mineiro, sem sair da trilha aberta pelo Movimento Armorial de Ariano.
São montagens que nos representam e, ao mesmo tempo, nos apresentam a nós mesmos, além de nos hastear bandeira a congregar territórios artísticos, afetivos e cívicos, num país assombrado e repartido por um projeto de poder excludente. Em cima e embaixo dos palcos, durante e depois do 21º Festival Recife do Teatro Nacional, que a arte e a força nordestina persistam farol aceso a nos guiar.

* Presidente da Fundação de Cultura Cidade do Recife

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