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Opinião
Orquestra Criança Cidadã - construindo sonhos, transformando vidas

João José Rocha Targino
Idealizador e coordenador geral da Orquestra Criança Cidadã, juiz de Direito e assessor da 1ª Vice-Presidência do TJPE

Publicado em: 24/07/2021 03:00 Atualizado em: 24/07/2021 07:02

A receita para um projeto bem sucedido: dedicação, propósito e parcerias. Seria simples assim, mas os 15 anos da Orquestra Criança Cidadã não conseguem ser resumidos apenas nos três vocábulos. A lista de ingredientes para o aprimoramento contínuo da iniciativa sociomusical gerenciada pela Associação Beneficente Criança Cidadã (ABCC) é bem mais longa. O filme passa na cabeça e nos transporta diretamente a 25 de julho de 2006, quando tudo começou. Ao lado do Des. Nildo Nery dos Santos e do maestro Cussy de Almeida, tornamos realidade o sonho de conferir oportunidade aos periféricos e, assim, os tiramos da invisibilidade societária.

Não foi fácil e seria leviano dizer o contrário, após termos alcançado feitos memoráveis nos últimos anos. Para começar, precisávamos de um espaço físico, patrocínio, instrumentos, alimentação e tantas outras necessidades básicas. Porém, tínhamos o principal: a vontade de viabilizar um novo horizonte para aqueles 100 alunos e suas famílias. Esse propósito veio com oportunidade, cidadania e esperança, conceitos que se mantêm norteadores para os nossos esforços diários. E quem diria que a comunidade do Coque, detentora de um dos mais baixos Índices de Desenvolvimento Humano (IDH), seria  terreno fértil para a descoberta de talentos musicais? Associar a música clássica às crianças do Coque parecia impossível naquela época, e o nosso visionarismo traz mais força para a comemoração no dia de hoje.

As dificuldades não se limitaram à implantação do projeto. Aprendemos a conviver com vitórias e reveses que reforçam nosso lema: “Orquestra Criança Cidadã - construindo sonhos, transformando vidas”. Quando parecia não haver saída senão a interrupção das atividades, a luz divina triunfou e não ficamos na escuridão. Cultivamos parceiros que fazem parte da nossa história, em especial, o Exército Brasileiro, a Chesf, a Confederação Nacional da Indústria e a Caixa Econômica Federal. Nossos agradecimentos se estendem, ainda, a todos os apoiadores do projeto, a todos os profissionais e aos nossos admiradores. Sem eles, não teríamos chegado até aqui.

Voltando ao segredo do sucesso, nosso êxito remete a tudo que fizemos em cada dia desses 15 anos. Deve-se ao fato de termos um rigor metodológico acima do padrão, de valorizarmos o trabalho coletivo e multidisciplinar na formação musical e cidadã, de sermos apartidários e termos o sonho como combustível inesgotável para nos reinventarmos sempre. Sonhamos alto e queremos continuar representando tão bem Pernambuco, o Nordeste e o Brasil perante o mundo.

Atualmente, além do Recife, a iniciativa está presente em Ipojuca e Igarassu, provando que ideia boa merece ser replicada sem medida. São 400 crianças, adolescentes e jovens impactados pelo poder da oportunidade. Os meninos e meninas da Orquestra podem ser pobres de bens materiais, mas, à toda evidência, são ricos de talento e da graça divina. Após uma década e meia em atividade, colecionamos viagens internacionais, álbuns musicais (CD e DVD), aprovações em vestibulares e concursos e premiações nacionais e internacionais. Fomos a primeira escola de música das Américas a fazer parte do Programa de Escolas Associadas da Unesco, em 2015, e seguimos na rede. A maior honraria, no entanto, é a de constatar as transformações de vida dos nossos alunos. Este, sim, é verdadeiramente o nosso maior troféu.

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