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Opinião
O espião mais "gentleman" do cinema

Paulino Fernandes
Defensor público e professor

Publicado em: 24/11/2020 03:00 Atualizado em: 24/11/2020 05:55

O eterno agente secreto 007 deixou as telonas, neste já tão enlutado ano de 2020. O ator de cinema americano e de cidadania inglesa, era de sangue escocês, motivo pelo qual nunca deixou o engajamento social, que todo artista deve ter. Foi um defensor intransigente, em 2013, do reconhecimento da independência da Escócia, em relação ao Reino Unido, mas era por sua sempre dedicada atuação ao trabalho, que o mais conhecido James Bond se destacava. O que poucos sabem, é que Connery viveu outras importantes personagens no cinema, com marcantes filmes, nas décadas de 60 a 80, tendo trabalhos, como thrillers de suspense, de  competência. Um deles é em Marnie, confissões de uma ladra, de 1964, dirigido por ninguém menos que Alfred Hitchcock; ou da exitosa adaptação de Umberto Eco, em O nome da rosa (1986), vivendo o velho monge William de Baskerville. Se revisarmos a diversidade de filmes em que atuou (além dos sete de 007), apesar de ser considerado pelo público feminino, como um excêntrico galã, Connery praticamente não viveu personagens românticos nas telonas. Ao invés, preferiu seguir com filmes de ação, aventura, drama e suspense, o que o diferencia de atores de grande porte, que ultimamente só mergulharam em atuações de um mesmo gênero, e faz até parecerem viver a mesma personagem, a exemplo do extraordinário Robert de Niro (como mafioso, mesmo em comédias).

Connery estrelou até em filmes do tipo “maciste”, atuando em um de Tarzan, vivido por Gordon Scott, em 1959: A maior aventura de Tarzan. Viveu um ladrão que mal foi solto, mas planejou um assalto “daqueles’, em O golpe de Jonh Anderson (1971), dirigido por Sidney Lumet. Foi o imortal Juan Ramirez, na franquia de Highlander; Um dos suspeitos de Assassinato no Expresso Oriente, na melhor adaptação do livro de Agatha Christie; O major dos exércitos aliados, em Uma ponte longe demais (Filme de guerra, que reuniu elenco de peso, em 1977); Viveu como rei, sim, como o Rei Arthur, em Lancelot, o primeiro cavaleiro (1995), e até “emprestou sua voz”, para dar vida a Draco, em Coração de dragão (1996). Mas foi na pele do guarda de rua de Chicago, Jim Malone, mesmo com poucos minutos em cena, mas com uma presença inesquecível, que Connery arrebatou uma estatueta de melhor ator coadjuvante, em Os intocáveis (1987), sob a direção de Brian de Palma, e ao lado de Kevin Costner e Robert de Niro. Merecia muito mais do cinema. Pena que sua última aparição em longas, foi na (im)bilhetérica Liga extraordinária, de 2002. Depois, só ficou atrás das telas, em vozes e dublagens. Em 2021, durante o Oscar, na certa, vai receber uma tardia e breve homenagem póstuma, no quadro “Em memória”.

Longe, porém, do cinema e de suas frívolas atribuições, Connery será sempre lembrado como um “cidadão-cavalheiro”, que lutou por causas sociais e beneficentes, tendo recebido a honraria francesa de “Legião da honra”, em 1991; e a inglesa de “Sir”, em 2000 (fazendo questão de ir vestido em trajes escoceses). Entretanto, como sempre os rumores ruins são escavados da vida de celebridades. Em entrevista recente, ao tablóide The Mail on Sunday, Micheline Roquebrune, pintora francesa, com a qual vivia casado há 45 anos, afirmou que o ator vivera ultimamente, sob um difícil processo de demência degenerativa. Mas prefiro ficar com a imagem ilustrada no filme Coração de dragão, quando Draco é perguntado para onde seus seguidores se voltarão, após sua morte, ele respondeu: “Para as estrelas”.

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