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Opinião
Pode ser câncer

Vera Morais
Oncologista pediatra e presidente do GAC-PE

Publicado em: 19/10/2020 03:00 Atualizado em: 19/10/2020 07:39

No Brasil, até a década de 1970, o câncer infantojuvenil era uma sentença de morte quando as taxas de sobrevida não chegavam a 20%. Uma luta incansável, iniciada por pediatras e hematologistas, conseguiu aos poucos mudar essa terrível estatística, chegando hoje, em alguns casos, a atingir mais de 90% as chances de cura. Isso acontece quando a doença é diagnosticada precocemente, de forma correta e tratada em serviços de referência com protocolos específicos para essa faixa etária.

Há 14 anos, o projeto “Fique Atento: Pode ser Câncer” foi criado com a finalidade de difundir, entre os pediatras, as informações sobre os sinais e sintomas do câncer. Com o passar dos anos, o projeto foi aprimorado e ganhou o interior pernambucano. Uma parceria entre o Grupo de Ajuda à Criança com Câncer - Pernambuco (GAC-PE) e a Secretaria Estadual de Saúde (SES) permite, por meio de um curso on-line, a capacitação de profissionais e estudantes da área de saúde, em especial as equipes de Estratégia de Saúde da Família (ESF), para atuarem no diagnóstico precoce do câncer infantil em todo o estado.

O curso oferece instruções, exercícios e capacitação para investigação preliminar de sintomas como febre, dores, manchas, gânglios, caroços, entre outros. Após a suspeição, o profissional deve encaminhar a criança para uma unidade de saúde especializada. Também oferecemos palestras voltadas para capacitação de 300 professores da rede municipal de ensino do Recife. A convivência entre alunos e mestres, que será retomada em breve, com o retorno das aulas, propicia uma observação que pode identificar alguma anormalidade.

O diagnóstico é o primeiro grande passo na luta contra o câncer. A partir desta etapa, traçamos um tratamento adequado que ofereça segurança. Desde que criamos o GAC-PE, há 23 anos, nossa maior missão é amenizar a dor e amparar crianças e famílias vindas da Região Metropolitana do Recife, do interior e também de outros estados. Os desafios continuam. Nosso empenho é para que o câncer não seja sinônimo de morte mas, sim, de superação.

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