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Opinião
A Livro 7 era uma festa

Raimundo Carrero
Membro da Academia Pernambucana de Letras

Publicado em: 03/08/2020 03:00 Atualizado em: 02/08/2020 20:01

Paris é uma festa, garantiu Hemingway, revendo a cidade-luz dos anos 20 no começo do século 20, quando estavam ali os principais artistas do mundo, criando, bebendo, vivendo e transformando todas as artes. Sangrando por todos os poros, preparando revoluções e vanguardas.

Nós também tivemos a nossa Paris. Chamava-se Livro 7, a histórica livraria, que nos viu nascer, crescer, amar, viver e sofrer. E, em alguns casos, morrer. Lembro-me, assim num repente, de Everaldo Moreira Veras, o consagrado autor do Menino dos óculos dos aros de metal, um infanto-juvenil magnífico, chorando amores e celebrando prêmios. Ninguém em Pernambuco ganhou tantos prêmios – mais de cinquenta...

Celebramos durante muito tempo a Academia do Amendoim sentados nos três bancos que o velho e querido Tarcísio colocava, ou de pé, muitas vezes com um copo de cerveja na mão, esperando que alguém se levantasse para ocupar o posto, sempre discutindo literatura. Muitas vezes salvando o Brasil de crises econômicas e políticas.

Não havia dinheiro, coisa rara até hoje, mas não se brinca com ficcionistas, inclusive com a saudável ilusão do Nobel, único capaz de salvar os nossos fracassos e pequenas glórias. Aqui, acolá um pouco ou muito de intriga, que ninguém é de ferro. Para compensar as lágrimas, um pedido de autógrafo, que alimentava o gosto de fama.

E se o pedido de autógrafo viesse de moça bonita, valia uma cachacinha ali na Lan House, com o sabor da Paris em festa. Por isso preciso dizer que Hemingway nunca me fez inveja. Até porque a livraria se assanhava toda quando aparecia Nilza Lisboa, a rainha da Livro 7, com o seu cheiro de mar e sol, depois de uma manhã em Boa Viagem, o corpinho banhado de sal. Era assim, muitos levavam cigarros, outros levavam esperanças, alguns carregavam desejos, e Nilza fazia olhos verdes. Não é Rubem Braga?

De quebra, quem sabe um livro, para ilustrar a tarde de festa. Sim, na Livro 7 tudo era festa, com dinheiro ou sem dinheiro até porque já estava chegando o Rei Momo e o Nóis sofre mas nóis goza já anunciava seu carnaval. Carnaval, aliás, permanente, eterno, cheio de suor, namoros e frevos. Saudáveis 50 anos. E os livros? Que livros?

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