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Opinião
Editorial Crianças sofrem na pandemia

Publicado em: 26/05/2020 03:00 Atualizado em: 26/05/2020 05:56

A violência doméstica, presente no cotidiano da sociedade muito mais do que parece, não atinge de forma mais intensa somente as mulheres nesses tempos de isolamento social. Crianças e adolescentes também são vítimas de agressões crescentes, nas últimas semanas, de acordo com estudiosos do tema. E o pior: geralmente, os atos violentos são praticados por seus responsáveis e cuidadores, sendo a maior parte originária do meio familiar ou convívio social, o que acaba trazendo sérios abalos psicológicos para os atingidos.

Especialistas temem que, após a pandemia do novo coronavírus, as jovens vítimas de violência dentro de casa desenvolvam comportamentos autodestrutivos e transtornos psicopatológicos em níveis muito mais elevados do que antes do surgimento da Covid-19. O professor Hugo Monteiro Ferreira, do Departamento de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), lembra que, ao longo da história, meninas, meninos e jovens sempre foram violentados, seja fisíca, sexual ou psicologicamente. Eles representam a parcela da população mais vulnerável e desprotegida, pois não têm meios para se proteger e ficam à mercê dos desmandos dos adultos.

A realidade é que os mais velhos veem as crianças e adolescentes como sua propriedade particular, e não raro os usam para descarregar sua raiva e frustrações. Em situações como a de confinamento social, a violência dos agressores fica exacerbada, inclusive, por causa das inseguranças geradas pela pandemia, que ninguém sabe como e quando será deixada para trás. No Brasil, diariamente, são registradas, oficialmente, cerca de 230 agressões, número que não espelha a realidade, uma vez que grande parte das agressões não são denunciadas pela condição de fragilidade das vítimas.

Em todas as tragédias humanas, como guerras e pandemias, crianças e jovens são os mais atingidos pelos abusos. Isso aconteceu, por exemplo, na epidemia do vírus ebola, que matou milhares na África, entre 2014 e 2016. O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) constatou, na época, expressivo aumento da violência contra a infância e adolescência, sobretudo, entre as meninas. Para que não haja intensificação da vulnerabilidade dessa parcela da população, faz-se necessário fortalecer os sistemas de garantia dos direitos das crianças e jovens, apontam os especialistas.

É importante que as pessoas denunciem qualquer suspeita de violência doméstica e o Estado tem de cumprir suas obrigações em termos de proteção aos agredidos e punição aos transgressores, conforme prevê a Constituição Federal e o Estatuto da Criança e do Adolescente. E, durante a pandemia atual, as autoridades precisam demonstrar aos violentadores que os menores são protegidos e eles serão punidos. Só assim o país poderá assistir ao declínio de prática tão abominável.

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