Diario de Pernambuco
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Opinião
Ronaldo finalista, viva Ronaldo!

Raimundo Carrero
Jornalista e membro da Academia Pernambucana de Letras
raimundocarrero@gmail.com

Publicado em: 21/10/2019 03:00 Atualizado em: 21/10/2019 05:01

Ronaldo Correia de Brito, o pernambucano dos cariris cearenses, é finalista do Prêmio São Paulo de Literatura, seguramente um dos prêmios mais importantes da América Latina. Já consagrado com este mesmo prêmio em 2009, o autor de Dora Sem Véu – editora Alfaguara - corre o risco de abocanhar mais 200 mil reais, que lhe permitirá uma folga financeira neste país de apertos.

Outro finalista forte é o paulista Paulo Schmidt, cujo romance Anjo Negro é publicado pela Companhia Editora de Pernambuco, esta Cepe  que se solidifica no mercado editorial brasileiro com um catálogo muito forte, deixando de ser uma mera gráfica oficial para se engajar no projeto literário já agora responsável pelo que de mais sério e elogiável se produz no país.

Ronaldo é um clássico. E este seu romance volta ao brilho do belo texto junto com Dora, a incrível personagem que se revela  ao longo das 243 páginas, envolvida em força e ternura, dessas mulheres que encantam pela beleza da coragem e das decisões.

Intimista, a obra vai buscar a inquietação delicada da mulher, e política, denuncia os campos de concentração nazista de Fortaleza, num equilíbrio de situações que somente o grande criador conhece. Dor na carne e dor na alma – eis Dora sem véu, finalista do prêmio São Paulo e do Prêmio Rio de Literatura. Uma lição de humanismo.  E de literatura. É claro.

Chamo ainda a atenção para o fato de que Dora tem, por assim dizer,um destino geográfico, se deslocando pelo interior do Brasil e pelo interior do romance, naquilo que vem  ser o seu universo errante, enfrentando as trincheiras de suas aflições e das aquestões familiares, porque já na primeira página a narrativa anuncia:

“Dora viajava a pé com os filhos, dias e noites.”

Só uma pausa. A vida literária do Recife, no campo da ficção  está fervendo. Basta ver o sucesso de Sidney Rocha, homenageado e consagrado pela Bienal Internacional do Livro, realizada no Centro de Convenções -; o sucesso da Cepe e das tantas oficinas literáris a revelar novos valores e da poesia de Cida Pedrosa, sempre em voz alta e bela.

Tudo isso sob o patrocínio do Governo do Estado, transformando Paulo Câmara no grande animador das artes em Pernambuco.

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