Energia abre janela de oportunidade para o futuro do Nordeste
Região Nordeste é a única do país com superávit energético, situação que acena para um futuro dominado pela inteligência artificial e pelos data centers
Publicado: 27/06/2026 às 18:24
A digitalização da cadeia industrial de produção, armazenamento, aplicação e uso de Hidrogênio Verde (H2V) é realizada a partir do eletrolisador no Senai Park (Divulgação/Sistema FIEPE)
O Nordeste é a meca da energia sustentável no Brasil e uma das mais importantes do mundo. É na região que se encontra a maior concentração de potenciais fontes renováveis de geração de energia elétrica do mundo, sem falar nas jazidas de petróleo e gás ainda não exploradas. Etanol, biodiesel, biomassa, energia eólica e fotovoltaica e o chamado hidrogênio verde (H2V). Esse potencial está explícito no projeto Brasil 2050, apresentado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).
Esse perfil da região traz consigo uma janela de oportunidades como poucas na história, dialogando com o futuro e com a geração de emprego e renda. Essa janela, no entanto, traz junto o desafio da qualificação profissional da população, um entrave histórico à empregabilidade. O Nordeste brasileiro é a única região do país com superávit energético, insumo extremamente necessário para a consolidação de um cluster fundamental para o setor de tecnologia e, sobretudo, para a inteligência artificial.
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Data Centers
A IA demanda, cada vez mais, capacidades extremamente rápidas de processamento de dados, o que desemboca na necessidade de uma grande infraestrutura de data centers. É neste ponto que entra o superávit energético da terra onde o sol brilha (ou costumava brilhar) o ano todo. Um data center de grande porte demanda energia suficiente para abastecer uma cidade de 200 mil habitantes, como Olinda (PE) ou Sobral (CE), e abrigar empreendimentos desse porte exige energia nova, sob pena de comprometer o fornecimento residencial e à indústria já existente.
No plano da CNI, é o Nordeste que tem o potencial de fornecer a energia necessária para a criação das centrais de processamento de dados que a IA exige. O desafio, nesse caso, é tirar a região desse papel de supridor de energia e levar para o de abrigo para esses empreendimentos, afinal trazer os investimentos para próximo da infraestrutura energética tende a ser mais seguro e econômico do que fazer o contrário, sem falar das eventuais perdas ocorridas durante a transmissão.
Não foi por acaso, portanto, que o TikTok, gigante chinês das redes sociais, escolheu o Ceará para implantar um de seus maiores data centers, que de quebra será o maior da América Latina.
Lacunas visíveis
A proposta empolga, mas não esconde as lacunas do documento. O plano Brasil 2050 não destaca, por exemplo, o desevolvimento de softwares, apesar de o Porto Digital, situado no centro histórico do Recife, ser um dos maiores ecossistemas de TI do mundo. Também não foram mencionados os segmentos de logística, que conta com equipamentos como os portos de Suape (PE) e do Pecém (CE) e a Ferrovia Transnordestina, indústria do petróleo, automóveis, naval e offshore. Qual o motivo das omissões? Por que é tão difícil enxergar o Nordeste como eixo de desenvolvimento?