Baco Exu do Blues traz show de disco reflexivo ao Recife: "Busco ser uma pessoa em constante evolução"
Show de Baco Exu do Blues no Recife acontece nesta sexta (14), no Armazém 14, com músicas do álbum "HASOS" e sucessos da carreira
Publicado: 14/08/2026 às 06:10
Rapper baiano Baco Exu do Blues chega ao Recife com o show de "HASOS" (Foto: Roncca)
Em seu álbum mais recente, intitulado “HASOS”, Baco Exu do Blues cede lugar a Diogo Álvaro Ferreira Moncorvo, o indivíduo por trás da persona que se consolidou como um dos grandes nomes do rap nacional na última década. O artista soteropolitano, aos 30 anos, abre mão do estereótipo marrento que costuma cercar os rappers e dá vazão às suas inseguranças e vulnerabilidades.
A identificação provocada pelo disco tem se refletido nos shows, que assumem um caráter quase terapêutico na troca entre palco e plateia. O encontro chega ao Recife neste sábado (15), às 22h, no Armazém 14. Os últimos ingressos custam entre R$ 90 e R$ 120 e estão disponíveis pelo site Bilheteria Digital.
Embora a música seja historicamente um espaço de desabafo, Baco leva essa proposta a um lugar diferente em sua carreira quando expõe questões pessoais de maneira mais direta.
“Por mais que o álbum tenha nascido de um momento muito particular meu, as músicas tocaram diferentes pessoas e ganharam novos significados para cada uma delas”, conta o artista em entrevista ao Diario. “Espero que o público do Recife sinta tudo isso também e que a gente consiga viver uma noite muito especial juntos”, continua.
O primeiro a ter contato com as ideias que dariam origem a “HASOS” não foi um empresário ou produtor, mas o terapeuta de Baco. Segundo o rapper baiano, algumas composições surgiram diretamente das conversas em terapia, enquanto outras anteciparam questões que só seriam abordadas posteriormente nas sessões.
“Eu brinco que, às vezes, meu terapeuta descobre algumas das minhas histórias pelas canções. O processo de compor é o meu primeiro espaço para colocar tudo para fora”, destaca. Na sofrência de “Garçom da Ausência”, por exemplo, Baco confessa: “Me falta coragem pra ficar sozinho”.
O título “HASOS” é um anagrama da frase em latim Humilitas Occidit Superbiam (“a humildade mata o orgulho”), que está cravada na lâmina de uma pintura de Caravaggio. A expressão norteia o conceito do álbum, maturado ao longo de três anos no divã.
No palco, o show preserva a fidelidade desse processo, mantendo os arranjos e a carga emocional das músicas intactas. “Não existem mudanças, mas o público canta junto e traz suas próprias emoções para aquelas histórias”, comenta o artista.
Nas 18 faixas, sendo quatro delas interlúdios, o discurso flui muito bem aos ouvidos, amparado por uma sonoridade que transita pelo rap e R&B e ainda encontra espaço para o forró de “Sertão Sem Flor”, em parceria com o pernambucano IVYSON.
Mas o repertório da turnê não se limita às inéditas: “A gente nunca deixou de cantar os grandes sucessos. Os fãs não deixam”, brinca o artista. Sendo assim, os fãs já podem aquecer a garganta para clássicos de várias fases da carreira, a exemplo de "Te Amo Disgraça", "Me Desculpa Jay Z" e "Flamingos".
O amadurecimento dos próximos trabalhos de Baco vem sendo construído silenciosamente no cotidiano, a partir de um exercício constante de compreender a si mesmo e o mundo ao redor.
“Busco ser uma pessoa em constante evolução. Procuro sempre aprender e crescer, exercitando minha escuta, minha escrita e minha leitura. Isso é um processo muito vivo, então acredito que vou estar sempre buscando evoluir, mesmo quando o trabalho parte de um lugar mais introspectivo, como aconteceu em ‘HASOS’”, conclui
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