"Só quem pode acabar com o forró é Deus", diz Mestrinho ao negar declínio do estilo
Sanfoneiro sergipano do trio Dominguinho, Mestrinho defende pluralidade em festejos juninos e destaca força do forró como ritmo permanente
Publicado: 18/06/2026 às 20:07
O safoneiro Mestrinho, após coletiva de imprensa, no camarim do São João Gomes (Karol Rodrigues/DP Foto)
“O forró é indestrutível”, defendeu o sanfoneiro sergipano Mestrinho, na noite da última quarta-feira (17), após apresentação no São João Gomes, no Bairro do Recife, área histórica da capital pernambucana. O evento, proposto pelo parceiro e fenômeno nacional João Gomes — com quem forma, ao lado do paulistano Jota.pê, o premiado trio Dominguinho —, transformou a Avenida Alfredo Lisboa num arraial que durou aproximadamente 9 horas.
Mestrinho subiu ao palco por volta das 18h30 e prestou homenagens ao anfitrião da festa, percorrendo um setlist que foi de “Sozinho”, de Peninha, e “Amado”, de Vanessa da Mata, a “Medo Bobo”, do duo sertanejo Maiara e Maraísa, e “Palpite”, da cantora Vanessa Rangel. Os sucessos vestiram outra roupagem e brilharam entre “Seis Cordas”, da banda Cavalo de Pau, e “Lamento Sertanejo”, de Gilberto Gil e Dominguinhos.
No camarim, duas horas depois, o artista falou ao Diario, em coletiva de imprensa, que “tem lugar no céu para todo mundo” — em resposta aos debates em torno da valorização do forró nos polos juninos do Nordeste, a exemplo de Campina Grande, na Paraíba, e Caruaru, em Pernambuco. “O que não pode é valorizar um tipo de música só, é monopolizar a parada”, observou. “Então não é tirar uns e colocar outros. Acho que todo mundo tá ali junto, sabe?”, defendeu ele.
Em 2025, ao lado dos parceiros do projeto “Dominguinho”, gravado no Sítio Histórico de Olinda, ele reposicionou a evidência do gênero em nível nacional. “Da mesma forma que eu venho do movimento do forró autêntico, do pé-de-serra, tenho a cabeça aberta para colocar coisas novas. Isso fez eu me juntar com João [Gomes], né? [Assim] a gente criou junto com o Jota.pê, que vem de outro universo”, exemplifica.
No ano passado, o trio conquistou o Grammy Latino de Melhor Álbum de Música de Raízes em Língua Portuguesa. “Se a gente fizer uma música com qualidade e vir fazendo e defendendo o nosso, sendo a nossa resistência também, acho que o forró é impossível acabar”, disse. “E quando o Dominguinho tiver em baixa vai chegar outro, porque o forró é um gênero que abraça todo mundo e é muito potente.”
O artista relembrou momentos do forró no mercado da música, como o impacto do surgimento de Roberto Carlos sobre a posição do imortalizado Rei do Baião, Luiz Gonzaga. “Ele mesmo relatou que ficou em baixa, com uma época em que ficou apagado. E, de repente, ele ressurgiu com ‘Danado de Bom’, com outros tipos de forró e fez, de novo, sucesso nacional”, contou, ao citar também ciclos com o sanfoneiro Dominguinhos e o grupo sudestino Falamansa.
Seja no palco cantando “Frevo Mulher”, de Zé Ramalho, ou em “Te Faço um Cafuné”, em dueto com Mariana Aydar, ou ainda ao lado de João Gomes e Jota.pê reinterpretando o Charlie Brown Jr., o sergipano reafirma a força do gênero que balança, mas não cai. “Ele pode tá em alta, tá em baixa, mas ele sempre vai existir. Ninguém tem a capacidade de acabar com o forró. Só quem pode acabar com o forró é Deus”, concluiu.