Pernambuco tem 7 ciclistas acidentados no trânsito por dia em 2026, diz Secretaria de Saúde
Só neste ano, 1.064 ciclistas foram vítimas de acidentes de trânsito no estado, segundo dados da Secretaria Estadual de Saúde
Publicado: 03/06/2026 às 06:00
Do total de vítimas, 321 se acidentaram no Grande Recife, de acordo com a SES (Foto: Rafa Vieira/DP Foto)
Em 2026, Pernambuco registra uma média diária de 7 ciclistas envolvidos em acidentes de trânsito. Os dados são da Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE). Ao todo, 1.064 pessoas se acidentaram enquanto utilizavam bicicletas neste ano.
Do total de vítimas, 321 se acidentaram no Grande Recife. O número representa 30% dos casos concentrados na região. Além disso, 4 ciclistas morreram nos sinistros. Em pouco mais de cinco meses, 2026 já registrou 29,4% das vítimas de 2025, que teve 3.610 acidentados. No ano passado, 71 ciclistas perderam a vida em acidentes de trânsito, contabiliza a pasta.
Comemorado nesta quarta-feira (3), o Dia Mundial da Bicicleta traz reflexões acerca da opção do ciclismo na rotina da população. A data foi instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 2018, para celebrar o equipamento como um meio de transporte sustentável, acessível, econômico e saudável.
“A importância da data é porque é a ONU reconhece que a bicicleta é uma ferramenta de transformação da cidade. É um modo sustentável de transporte. E essa sustentabilidade está se colocando na contribuição para a redução dos efeitos do colapso climático que estamos passando”, explica o presidente da Associação Metropolitana de Ciclistas do Recife (Ameciclo), Daniel Valença.
Porém, a alternativa pelo meio de transporte individual no espaço urbano de uma metrópole traz consigo riscos. Valença ressalta os perigos decorrentes de uma conduta violenta no trânsito.
“O trânsito do Recife é um trânsito que mata muito. Isso faz com que as pessoas se sintam desconfortáveis em usar outro modo de transporte que não o carro. O desafio é a insegurança no trânsito causada por pessoas imprudentes e irresponsáveis em veículos pesados e potentes que podem causar grandes danos”, acrescenta.
O Diario de Pernambuco conversou com o corretor Bruno Moreira, morador do Recife, de 56 anos. Ele conta que encontrou na bicicleta um hobby. Para quem trafega por várias vias da Região Metropolitana, a realidade é de riscos todos os dias. “É perigoso pela falta de educação do nosso trânsito. Os maiores riscos são o trânsito e a falta de ciclovias decentes que verdadeiramente se destinem à bike como meio de transporte”, avalia.
Para o ciclista, a dificuldade é estrutural e é necessário um "trabalho intenso de divulgação e educação da nossa população em geral", através de campanhas de conscientização para motoristas e população em geral. seja na formação dos motoristas e com campanhas sistemáticas de respeito aos ciclistas”, acrescenta.
Bruno sinaliza, ainda, que o a infraestrutura para uso da bicicleta na capital pernambucana tem melhorado, mas com ressalvas. “Houve melhora [nos últimos anos]. Melhorou na implantação de algumas vias, apesar de mal projetadas e com poucas manutenções”, alega.