Degradadas ou sem sinalização, as paradas de ônibus do Grande Recife são alvos de crítica dos usuários
Reportagem do Diario de Pernambuco conversou, nesta segunda-feira (11), com usuários de transporte públicos do Grande Recife, que não pouparam críticas às condições das paradas de ônibus
Publicado: 11/05/2026 às 14:41
Parada de ônibus da Praça do Derby recebeu muitas críticas dos usuários (BARTÔ LEONEL/DP)
Os problemas enfrentados pelos usuários do transporte público no Grande Recife começam antes mesmo de entrar de embarcar no coletivo. Diversas paradas de ônibus estão degradadas ou sequer contam com sinalização.
“É um descaso total. Principalmente, quando está chovendo. Todo mundo se molha, mesmo debaixo dessa estrutura. Além dos pombos que ficam ‘cagando’ nas pessoas”, disparou Caroline Santos, 28 anos.
Há quatro anos, ela trabalha em um fiteiro na Praça do Derby, próximo a uma parada de ônibus.
“A parada praticamente está caindo em cima da cabeça de todo mundo. Está a maior imundice, com todos bancos enferrujados. Na semana passada, teve um deficiente visual que se machucou com esses PVCs que caíram com a chuva”, completou.
Ela foi uma das pessoas que conversaram com a reportagem do Diario de Pernambuco, que foi às ruas na manhã desta segunda-feira (11) conferir o estado das paradas de ônibus na Região Metropolitana.
Na região central do Recife, a situação da parada da Praça do Derby, citada por Caroline, é a que chama mais atenção. Bancos enferrujados, sem iluminação e parte da coberta, literalmente, caindo aos pedaços.
Tanto que funcionários da empresa pela manutenção das paradas, de responsabilidade do Consórcio Grande Recife, estavam retirando as placas de PVC, que desde as últimas chuvas fortes começaram a se soltar, colocando em risco os usuários.
Para o aposentado Fernando Santos, de 58 anos, que pega com frequência ônibus na Praça do Derby, a retirada do forro de PVC é apenas um paliativo.
Segundo ele, este tipo de serviço já foi realizado na parada do outro lado praça, mas não houve nenhum outro serviço de requalificação do local.
Falta de Iluminação
Além da situação das estruturas, a questão da falta de iluminação também é um problema relato com frequência pelos usuários.
“Não tem iluminação nas paradas. Aqui, no Derby, por exemplo, é tudo escuro”, contou a dona de casa Sandra Angélica, de 43 anos.
“A situação aqui é complicada. Se cair um temporal, não se tem um abrigo adequado. Além disso, a falta de segurança é outro problema”, emendou, ampliando a lista de insatisfação de quem depende do transporte urbano.
Parada sem sinalização
Os problemas variam em outros locais do Grande Recife. Em Olinda, por exemplo, a reportagem do Diario conversou com usuários que reclamaram da falta da estrutura que servia de abrigo contra o sol e a chuva.
Em seus lugares, restou uma placa para sinalizar o local onde as pessoas embarcam e desembarcar dos ônibus, a céu aberto.
A situação fica pior na Avenida José Augusto Moreira, próximo à esquina com a Rua Alcina Coelho de Carvalho, em Casa Caiada.
Segundo moradores e pessoas que trabalham na região, havia uma estrutura que protegia o usuário e servia identificar o local de parada dos ônibus. Não existe sequer uma sinalização.
“Todas as paradas deveriam ter um ponto avisando que ali é uma parada. Aqui não tem nada”, reclamou a aposentada Adneusa França.
“Eu desci porque perguntei ao motorista e ele disse que podia descer aqui, pois é a parada para outro ônibus que irei pegar”.
Ela relatou outras as dificuldades. “Essas paradas estão ficando muito a desejar. Não tem nem um banco para sentar. Eu tenho 80 anos, não posso ficar muito tempo em pé”, citou.
Ao longo da Avenida Dr. José Augusto Moreira é possível ver várias paradas com apenas a sinalização, sem a estrutura de abrigo em dias de chuva ou de sol intenso.
Problema enfrentado por usuários de outros bairros do Grande Recife.
“Moro no bairro da Macaxeira. Muitas paradas não têm cobertura e quando vai se aproximando o inverno, é muito difícil o usuário se proteger da chuva enquanto esperam a condução para poder trabalhar ou estudar. Estão deixando a desejar nessas paradas, principalmente as da periferia”, reclamou o servidor público, Luciano Santos, de 52 anos.
O que diz o Consórcio Grande Recife
Segundo o diretor de engenharia e manutenção do Consórcio Grande Recife, Mariberto Alves, as paradas de ônibus da Praça do Derby estão inseridas em uma programação “contínua de manutenção preventiva e corretiva”.
“As intervenções previstas contemplam à recuperação física e estrutural do equipamento, considerando as condições de desgaste natural decorrentes do uso contínuo, da exposição às intempéries e do tempo de operação da estrutura”, destacou Mariberto Alves.
Além das paradas do Derby, segundo o Consórcio Grande Recife, outras localizações terão serviços de recuperação, reparo e substituição de componentes que apresentem avarias, comprometimento estrutural ou sinais aparentes de deterioração.
O Consórcio disse que as atividades relacionadas à limpeza urbana do espaço, bem como os serviços referentes à manutenção, reposição e operação do sistema de iluminação pública existente nos locais são de responsabilidade dos governos municipais.
Existem cerca de 3,6 mil paradas de ônibus no Grande Recife, entre abrigos e totens de embarque e desembarque de passageiros, segundo informação oficial.