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Mesmo proibido por lei federal, comércio ambulante "corre solto" em estações do Metrô do Recife e causa problemas

Acidente envolvendo carrinho de camelô, que terminou com a morte de aposentado, levanta mais uma vez a discussão sobre o que fazer para disciplinar o serviço

Publicado em: 20/01/2024 06:00 | Atualizado em: 19/01/2024 17:24

No metrô, ambulantes vendem produtos na estação central do Recife. (Foto: Rafael Vieira/ Foto DP)
No metrô, ambulantes vendem produtos na estação central do Recife. (Foto: Rafael Vieira/ Foto DP)
 
O acidente que causou a morte de Manoel Francisco, de 75 anos, que caiu de uma escada rolante na Estação Central do Metrô do Recife, devido um tumulto causado após o carrinho de um vendedor ambulante ficar preso na estrutura, levantou mais uma vez a questão sobre o comércio nas estações e também dentro das composições ferroviárias.  

O caso aconteceu na sexta-feira (12). No vídeo que circula nas redes sociais, é possível ver que houve um "congestionamento" de pessoas, após o carrinho ficar preso. 
o homem tentou escalar pela lateral do equipamento para, então, conseguir acessar o piso de cima novamente. Nesse processo, ele se desequilibrou e caiu. (Foto: Rafael Vieira/ Foto DP)
o homem tentou escalar pela lateral do equipamento para, então, conseguir acessar o piso de cima novamente. Nesse processo, ele se desequilibrou e caiu. (Foto: Rafael Vieira/ Foto DP)
 
Com isso, passageiros tentaram voltar para o topo da escada. Foi nesse momento que o homem tentou escalar pela lateral do equipamento para, então, conseguir acessar o piso de cima novamente. Nesse processo, ele se desequilibrou e caiu.  

Diante dessas circunstâncias, voltou a discussão sobre a proibição das vendas de produtos em plataformas e trens.
 
Esse assunto divide opiniões entre os passageiros, que se sentem incomodados, dos vendedores, que alegam ter que trabalhar e levar dinheiro para casa. 
No entorno da estação central do Recife, diversos ambulantes atuam na localidade. (Foto: Romulo Chico/ Esp DP Foto)
No entorno da estação central do Recife, diversos ambulantes atuam na localidade. (Foto: Romulo Chico/ Esp DP Foto)

Em entrevista ao Diario de Pernambuco, o gerente operacional de comunicação e marketing da CBTU, Salvino Gomes, explica que o comércio ambulante é ilegal e ressalta que apenas lojas autorizadas pela empresa podem exercer as vendas.

Conforme o Decreto Lei do Governo Federal n° 1.832/96 no Art. 40. que diz ‘’É vedada a negociação ou comercialização de produtos e serviços no interior de trens, nas estações e instalações, exceto aqueles devidamente autorizados pela Administração Ferroviária’’. 

‘’Infelizmente, a população compra os produtos. Por isso, existem muitos ambulantes no sistema. Retiramos os ambulantes com nossa fiscalização, mas infelizmente eles voltam sempre. A única coisa que podemos fazer é retirar do sistema. De vez em quando, retiramos com ações coordenadas com a Diretoria Executiva de Controle Urbano do Recife (Dircon) por causa de sonegação fiscal’’ disse Gomes.

O que dizem os passageiros do metrô?

Para Wlyanne Bruna, de 30 anos, que é mãe atípica de uma criança com estereotipias (sinais comuns do autismo, como repetições motoras ou verbais), os ambulantes são um incômodo.
 
Na visão dela, a movimentação dos vendedores traz poluição sonora e também do próprio transporte.

‘’Eles se incomodam se o próprio passageiro está em pé, se está no meio do corredor. Eu sou a mãe atípica. A minha criança tem estereotipias, fica esticando o pé, e inclusive hoje (quinta-feira)  um se incomodou com ele a ponto de dizer que da próxima vez ia passar com o carrinho na perna dele de propósito’’. 

Bruna diz que explicou para ele, que sua criança tem estereotipias, que não fica imóvel. 

‘’Então, assim, para mim é um incômodo e também é falta de segurança porque eles não são identificados, muitos usam até tornozeleira, então assim uma viagem que poderia ser tranquila, em paz, se torna turbulenta e barulhenta ao mesmo tempo’’. 

Ela ainda ressalta que esse é um dos motivos de não andar muito no metrô e que não foi a primeira vez que aconteceu esse tipo de situação desconfortável. 

O bancário Bruno Marques, de 37 anos, conta passageiro do metrô e não tem do que reclamar sobre os ambulantes.

‘’Não tenho problemas com eles, não.Eu consumo os produtos. Às vezes, você está com sede, está com fome e compra alguma coisa. E vários acessórios também já comprei no metrô. Nunca tive nenhuma situação ruim’’, disse Marques. 

O que dizem os ambulantes?

A reportagem do Diario tentou contato com ambulantes que estavam vendendo mercadorias na estação central do Recife, mas eles preferiram não se pronunciar.

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