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Opinião
Recife se tornando uma cidade cicloinclusiva

Taciana Ferreira
Presidente da CTTU

Publicado em: 26/08/2020 03:00 Atualizado em: 26/08/2020 05:36

A expansão de espaço para as pessoas circularem de bicicleta tem sido a principal orientação para cidades sustentáveis. Nessa direção, o Instituto de Políticas de Transporte e Desenvolvimento (ITDP-Brasil) apresentou estudo com elementos para o planejamento de uma cidade cicloinclusiva. É notório que o desenho urbano do Recife passou por grandes mudanças voltadas para mobilidade das pessoas e na equidade dos espaços viários para atender todos os modos de deslocamentos, priorizando os modos menos poluentes e mais eficientes, dando passos importantes para se tornar uma cidade “cicloinclusiva” e cinco características são destaques para isso.

A primeira delas é a ampliação da malha cicloviária. A Prefeitura da Cidade do Recife (PCR) entregou mais de 100 km de malha cicloviária nos últimos anos e, em 2019, a nossa malha foi considerada pelo ITDP-Brasil a quarta rede mais acessível à população dentre as 20 maiores cidades do país. Atualmente, o Recife possui 125,5 km de rede cicloviária, entre ciclovias, ciclofaixas e ciclorrotas, o que representa um aumento de 420% desde 2013, quando havia apenas 24 km.

A segunda característica é a implementação de estações de bicicletas compartilhadas e hoje já são 69 estações, maior número da região metropolitana. Além disso, a Secretaria de Mobilidade e Controle Urbano e Autarquia de Trânsito e Transporte Urbano (CTTU) procuram alinhar, junto ao governo do estado, a melhor localização entre essas estações e as rotas cicláveis existentes a fim de incentivar cada vez mais o uso da bicicleta.

A terceira característica é a intermodalidade entre bicicleta e transporte público, com a viagem realizada dos dois modos. Para o transporte coletivo, desde 2013, a Prefeitura do Recife deu início ao projeto Faixa Azul, cujo principal objetivo é reduzir o tempo de viagem para os usuários. Já são 62 km de corredores exclusivos para transporte público, sendo 40 km de Faixa Azul. A intermodalidade entre esses dois modos está viabilizada pela rede ciclável existente e o sistema de bicicletas compartilhadas também possibilita a integração tarifária entre os modos para os estudantes realizarem o complemento da viagem com um custo menor.

A quarta característica é promover ações para desestimular o uso do carro e aqui a Zona Azul Digital possibilitou a ampliação de estacionamentos rotativos pagos nos logradouros públicos e também houve supressão de vagas de estacionamentos para implantar ciclofaixas ou o para instalar paraciclos/bicicletários, fomentando o espaço público e a política de não incentivo ao uso do automóvel, que inicia sua consolidação.

A quinta característica é uma das mais importantes: Trânsito seguro com a adequação da velocidade nas vias. Essa foi uma marca desta gestão, que implantou duas zonas 30 (Bairro do Recife e Ilha do Leite), além de diversas áreas de trânsito calmo, com uso de urbanismo tático (Santo Amaro, Ilha do Leite, Largo da Paz, Água Fria). Atitudes como essas fizeram o Recife diminuir em 53% o índice de acidentes de trânsito com vítimas fatais entre 2012 e 2019.

Cidades que são referências mundiais em cicloinclusão, tal como Amsterdam, na Holanda, demoraram mais de 40 anos para construir a mobilidade que têm hoje. Isso porque a adesão de políticas públicas consiste no planejamento urbano e, também, na construção coletiva, que exige participação e educação da população, o que demanda, acima de tudo, tempo. Gratificante participar do início dessa transformação mesmo compreendendo que muito ainda deve ser feito, os primeiros passos foram dados e, agora, a única opção é avançar.

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