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Opinião
Viva a ciência!

Marcelo Alves Dias de Souza
Procurador Regional da República

Publicado em: 25/03/2020 03:00 Atualizado em: 24/03/2020 22:35

Estamos (quase) todos muitíssimo preocupados com a pandemia do novo coronavírus. Só não está quem é amalucado. É um pequeno grupo. Por favor, deixem-me longe dele. Distância social, sanitária, exijo. E prometo fazer minha parte.

De toda sorte, quero tirar uma coisa boa desta situação toda. É sempre bom acharmos uma luz, até para o bem da nossa sanidade mental.

Eis uma: o fim – ou, pelo menos, o começo do fim – do “terraplanismo” que vinha tomando conta de boa parcela da população brasileira, incentivada pelo mesmo grupo de amalucados que acha ser o novo coronavírus uma “fantasia”. Nestes dois últimos anos, vi muitos desses celerados, como novos templários, ressuscitados de uma idade das trevas, bradarem contra a ciência, as universidades, o estudo, a cultura, as artes e por aí vai. E se for uma ciência ou universidade públicas, eram virulentos. Vi maluco dizer que: “o ensino universitário acabou!”. Vírus mental. Oh noite traiçoeira que se vai!

Se Deus quiser (porque guardo a minha fé como complementar à ciência), estamos diante de uma contrarrevolução cultural. Neste período de crise, em que mitos caem, em que precisamos da verdadeira ciência, que esta sirva de novo “paradigma”, para usar da expressão consagrada por Thomas Kuhn (1922-1996), no seu “The Structure of Scientific Revolutions” (1962). Venha ela da China, da Europa, dos EUA ou da querida UFRN. Não importa.

E eu gostaria aqui de agradecer às mais diversas ciências. O direito e a ciência política, que vão regular as medidas a serem tomadas agora e no futuro. A economia e a administração (pública e de empresas), que terão um papel fundamental no soerguimento do país após vencidas todas as nossas pragas. A matemática e a estatística, que já nos ajudam a dimensionar e a prever aquilo pelo qual estamos passando. A ciência da computação e a robótica (o que seria de nós sem elas). A ciência da comunicação (viva a imprensa livre!). A biologia, a química, a farmacologia, juntas e misturadas, são mais que fundamentais nesta hora. E as mais diversas filosofias e psicologias, que nos ajudam entender todos esses fenômenos. Inclusive a loucura de uns.

Mas se não posso homenagear detidamente todas elas, vou agradecer a medicina em especial, cuja história começou bem antes e bem longe daqui, na China, na Índia, no Egito, na Mesopotâmia, onde pessoas – que hoje chamamos de médicos – se especializam no tratamento dos enfermos.

E chegou até nós, do Ocidente. Como explica Anne Rooney, em “A história da medicina: das primeiras curas aos milagres da medicina moderna” (M.Books, 2013): “Da Renascença em diante, o Ocidente Europeu tornou-se o foco de avanços na medicina. Primeiro a Itália e depois a Alemanha, França e Grã-Bretanha produziram escolas médicas e começaram uma exploração científica sistemática do corpo humano e de suas doenças. Com o Iluminismo, o florescimento da ciência em todas as áreas contribuiu para avanços médicos. A nova confiança no uso da razão, desafiando antigas autoridades e rompendo com tabus tradicionais e proibições religiosas, propiciou um rápido progresso”. Assepsia, microscópios, vacinas, variada farmacologia, computadores, engenharia genética e por aí vai, esses desenvolvimentos vieram com o tempo e permitiram à medicina dar grandes saltos. E podemos assim mostrar que a coisa não é fantasia.

Viva a renascença! Viva o iluminismo! Viva a ciência!

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