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Opinião
Editorial Por quem os sinos dobrarão?

Publicado em: 30/03/2020 03:00 Atualizado em: 29/03/2020 21:53

A civilidade e o espírito público são postos à prova em época de crise. Confrontados com desafios às vezes inéditos, políticos têm nas mãos o destino de milhões de pessoas. Decisões ganham dimensão superdimensionada. Daí por que a atenção se volta para eles.

Sob a intensa luz dos holofotes, muitos têm a visão comprometida. Ao mirar lá na frente, uns alcançarão o horizonte curto. Enxergam as próximas eleições. Outros ultrapassam os limites nebulosos e veem além dos egos inflados. Lá estão as próximas gerações.

Numa pandemia jamais vista como a imposta pelo coronavírus, precisa-se de líderes capazes de esquecer os interesses pequenos, centrados nos projetos individuais, e unir forças para abraçar a causa maior. Os 210 milhões de brasileiros esperam de seus governantes comportamento responsável e solidário.

Embates de ocupantes do Poder Executivo sejam no âmbito federal, sejam nos estaduais, sejam nos municipais, comprometem a coesão do discurso. Cada unidade da Federação tem características particulares. É acreditar em Papai Noel imaginar que a realidade de São Paulo se assemelha à de Manaus ou a de Manaus equivaler à de Maceió.

Mas a diversidade deve ter um norte – a voz da ciência. Técnicos nacionais e internacionais propõem medidas ditadas pelo conhecimento e baseadas em experiências exitosas. O novo coronavírus pegou o mundo de surpresa. A China serviu de cobaia. À custa de muitas vidas, aviou uma receita correta. Confinou a população de Hubei e evitou que o vírus se disseminasse por mais de 1,2 bilhão de pessoas espalhadas pelo território do país.

Hoje Pequim ensina a lição. Passada a epidemia, a vida volta à normalidade. Itália e Espanha desqualificaram o poder avassalador do coronavírus. Resultado: oferecem ao mundo uma das mais trágicas amostras das consequências da irresponsabilidade de políticos que desonraram o mandato que o eleitor lhes confiou.

Espera-se que no Brasil a voz da razão fale mais alto que a voz da eleição. Alinhamento de ações e discursos é importante para manter a coesão social e encaminhar ao ganha-ganha. Desunião gera confusão. No saldo do caos, não haverá vitoriosos. Só derrotados. Soarão, mais uma vez, as palavras de John Donne: “Não perguntes por quem os sinos dobram. Eles dobram por ti”.

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