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Opinião
Os nossos mártires esquecidos...

Leonardo Dantas Silva
Escritor e historiador

Publicado em: 12/03/2020 03:00 Atualizado em: 12/03/2020 10:03

Quem transita pela Praça da República, através dos seus jardins projetados por Roberto Burle Marx (1909-1994), cercada por monumentos como o Palácio do Governo (1841), o Teatro de Santa Isabel (1850), o Liceu de Artes e Ofícios (1880), o Palácio da Justiça (1930) e o prédio da Secretaria da Fazenda (1944), mal desconfia que o seu solo encontra-se embebido pelo sangue de oito, dos doze, mártires pernambucanos que deram suas vidas em favor da causa da Liberdade, quando do Movimento Republicano de 1817.

No início do século 19, quando a atual Praça da República era chamada de Largo do Erário, o local serviu de cenário à solenidade da Benção das Bandeiras dos Revolucionários de 1817, ocorrida em data de 3 de abril daquele ano.

Pavilhão que, um século depois, voltou a tremular em nossos céus, transformado que foi em Bandeira Oficial do Estado de Pernambuco (1917).

O mesmo espaço veio a ser chamado de Campo da Honra, em memória dos oito mártires pernambucanos que pagaram com suas vidas pela participação em 1817 no movimento pioneiro de implantação de uma República em terras da América Latina.

Em 8 de julho daquele ano, foram ali enforcados e esquartejados os capitães Domingos Teotônio Jorge Martins Pessoa e José de Barros Lima (o Leão Coroado), e o padre Pedro de Sousa Tenório (Padre Tenório). Seguindo-se da execução dos mártires Antônio Henrique Rabelo, Amaro Coutinho, José Peregrino Xavier de Carvalho, Inácio de Albuquerque Maranhão e o padre Antônio Pereira de Albuquerque.

Em memória dos Mártires da República de Pernambuco de 1817, foi erigido em 1987 um monumento, moldado pelo escultor Abelardo da Hora (1924-2014); sob o patrocínio do governo de Pernambuco, atendendo sugestão do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano; na alameda em frente ao Palácio da Justiça.

Estranhamente, nenhum dos que morreram pela causa da nossa Liberdade teve o seu nome assinalado em seu pedestal!

Nos seus lados, apenas, aparecem transcritos os nomes dos contemporâneos que promoveram tal homenagem (!)

No período em que frequentei como membro do Conselho de Preservação do Patrimônio Histórico Cultural do Estado de Pernambuco, apresentei projeto, aprovado pela unanimidade dos conselheiros, no sentido de fazer gravar em lápide de granito os nomes dos trinta MÁRTIRES DA PÁTRIA, imolados quando dos movimentos libertários ocorridos quando da proclamação da República de 1710, em Olinda; da República Pernambucana de 1817 e Confederação do Equador de 1824.

A todos eles se aplica a lição que lhes foi ensinada por ocasião da Benção das Bandeiras de 1817, pelo Deão Bernardo Luís Ferreira Portugal (1755 - c.1832):

“Se as Províncias deste vasto continente vos abandonarem será inteira a vossa glória; inteira a infâmia dos covardes, que vos abandonaram, e quando nos inescrutáveis arcanos da providência fosse decretado que sucumbísseis, será esplêndido o nosso sepulcro, porque últimos cedemos, porque sós ousamos resistir”.

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