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Opinião
Desafios e oportunidades da nova década para a pauta do trabalho

Alberes Lopes
Secretário estadual do Trabalho, Emprego e Qualificação

Publicado em: 19/03/2020 09:00 Atualizado em:

2020 chegou e com ele uma nova década. Como sempre, novos desafios e oportunidades são apresentados à sociedade, trazendo consigo mudanças, novos caminhos e possibilidades. Inteligência artificial, big data, avanço da robotização e da automação, e consequentemente desaparecimento de profissões tradicionais são apenas alguns dos obstáculos. Por outro lado, o surgimento de outras profissões abre um leque de perspectiva de melhores condições de vida para a população, em profissões de maior remuneração.

Neste processo, é essencial pensar na responsabilidade dos governos (federal, estadual e municipal). As gestões não devem impedir a inovação e o avanço das tecnologias, e, tanto quanto podem, precisam incentivar e garantir o florescimento de startups e negócios baseados em novas tendências. Mesmo com poucos recursos, o poder público tem um tremendo desafio: qualificar pessoas para posições cada vez mais especializadas e, paradoxalmente, também formar profissionais com experiências de vida e com as chamadas habilidades do futuro, quase todas soft skills (aquelas que lidam com a relação e interação com outros).

Segundo relatório do Fórum Econômico Mundial, são dez habilidades essenciais para ampliar a empregabilidade no futuro: capacidade de resolução de problemas complexos, pensamento crítico, criatividade, gestão de pessoas, coordenação, inteligência emocional, capacidade de julgamento e tomada de decisões, orientação para servir, negociação e flexibilidade cognitiva. Note-se que não há o que se convencionou chamar hard skills (habilidades técnicas que você pode aprender e facilmente mensuráveis).

Mais da metade passa grandemente pelo fator essencial do trabalho: o ser humano. São habilidades essencialmente pessoais, de contato, de traquejo relacional. Como “ensinar” tais habilidades? O desafio da capacitação é latente e requer especial atenção do poder público.

Há também novas realidades que requerem adaptação por parte do poder público. Alguns setores já vêm estudando e liberalizando a jornada de trabalho, com cochilos pós-almoço, salas de jogos, flexibilização dos trajes de trabalho e disponibilização de serviços em categoria home office. A ideia é que, quanto mais bem tratado for o funcionário, mais ele produzirá. Ou seja, qualidade de vida importa. Práticas como essa possuem uma limitação de aplicação no setor público, mas, caso avancem, como podem ser adaptadas para a realidade do serviço público?

Outra potencialidade que a nova década traz é a crescente quantidade de dados que o mundo produz. Essas informações podem levar a um novo patamar a percepção de como o mercado de trabalho funciona, tais como a forma como empresas e funcionários interagem, exigências e o tempo de vacância de cargos. A princípio, podem parecer apenas informações desconexas, mas, o devido tratamento abre uma nova gama de possibilidades de políticas públicas bem desenhadas e que podem produzir mudanças significativas na vida das pessoas.

Essas são apenas algumas das reflexões que a nova década introduz na pauta do trabalho. Em um mundo cada vez mais globalizado e automatizado, novos tempos requerem práticas e respostas novas, mais ágeis e eficientes. Numa era em que trabalho está cada vez mais exigente, qualificação especializada e habilidades interpessoais definidas se tornam imprescindíveis. Em um país que ainda sofre com mais de 12 milhões de desempregados, o poder público deve se munir para fazer entregas reais que transformem a vida da população através da emancipação, somente possível via inserção no mercado de trabalho.

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