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Opinião
Editorial Contrainformação: guerra sem vencedores

Publicado em: 17/03/2020 03:00 Atualizado em: 17/03/2020 08:32

Ambiguidade é palavra merecedora de todo o cuidado na comunicação. Pessoas que lidam com o público — jornalistas, professores, políticos — recebem aulas que apontam caminhos para evitar duplos sentidos. Não só. Sabedores de que o corpo fala, estudam gestos, olhares, sorrisos, meneios de cabeça aptos a sintonizar a linguagem verbal com a não verbal.

É conhecido o diálogo entre Charles Chaplin e Albert Einstein no primeiro encontro dos dois. O gênio da física diz ao gênio do cinema mudo: “O que mais admiro na sua arte é a universalidade. Você não diz uma palavra e, ainda assim, todo mundo o entende”. A resposta: “É verdade. Mas sua fama é ainda maior: o mundo admira você sem entender uma palavra do que você diz”.

Em época de incertezas, a comunicação é fundamental. Todos têm de entender que a cautela número 1 se refere aos riscos de disseminação. Diferentemente de vírus anteriores, quando havia medicamento para combater o mal, o novo coronavírus é muito recente. Não houve tempo de desenvolver vacinas nem de encontrar remédio eficaz.

Essa é a razão por que se impõem medidas restritivas. Com excepcional rapidez de contágio, urge frear o avanço do novo coronavírus. Governos do mundo inteiro adotam providências para obter êxito na guerra contra o inimigo comum. A Itália e a Espanha, por exemplo, obrigam a população a manter-se em casa. O povo não só obedece, mas também ajuda a fiscalizar o cumprimento da ordem.

No Brasil, unidades da Federação tomam medidas de acordo com as próprias necessidades. Todas seguem protocolo ditado pelo Ministério da Saúde, que, em meio a tantas turbulências, tem merecido aplausos pelo profissionalismo e competência técnica. A unicidade — que se opõe a ambiguidade — traz segurança tanto às autoridades quanto aos cidadãos.

É importante manter o clima de união. Ações que contrariam o rumo traçado — sobretudo as vindas de autoridades — funcionam como contrainformação. Confundem. Aliadas às fake news, criam clima de balbúrdia cujo alvo é a saúde pública. O resultado será uma guerra sem vencedores. Todos serão derrotados.  

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