Diario de Pernambuco
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Opinião
Palocci, a banca e a série Billions

Maurício Rands
Advogado formado pela FDR da UFPE, PhD pela Universidade Oxford

Publicado em: 07/10/2019 03:00 Atualizado em: 07/10/2019 10:08

As construtoras e outras empresas do setor de infraestrutura foram duramente atingidas por operações como a Lava-Jato e a Greenfield. Os 19 acordos de leniência homologados pelo MPF, a CGU e a AGU já acumulam multas num total de R$ 25 bilhões. Ao lado da J&F (10,3 bi), as construtoras ou suas controladas despontam com cifras também estratosféricas: Odebrecht (3,8 bi), Braskem (3,1 bi), Andrade Gutierrez (1,49 bi) e Camargo Corrêa (1,39 bi). A lista chama atenção pela grande ausência de empresas do mundo da alta finança. As instituições financeiras parecem protegidas. Ou será que sua atuação no mercado de capitais é realmente imaculada?

Nossa história econômica é uma sucessão de sacrifícios. Geralmente suportados pelos do andar de baixo. Dezenas de milhões de brasileiros privados de empregos e dependentes de péssimos serviços públicos ofertados por um estado ineficiente, apoderado por interesses corporativos e inviabilizado pela corrupção. Sobretudo na recessão, todos são chamados a dar sua cota de sacrifícios. Todos, não. Que a banca ostenta balanços estratosféricos tanto nos períodos de vaca gorda quanto nos tempos duros de recessão. Como sempre lembrava o ex-presidente Lula, essa gente nunca ganhou tanto dinheiro como em seus governos. Seu ministro da Fazenda, o queridinho do setor financeiro, navegava com desembaraço. Pavimentara o namoro do Governo Lula com a turma do andar de cima. Pensava-se que por ter sido o inspirador dos compromissos da famosa ‘Carta aos brasileiros’. Hoje sabe-se que Palocci não era tão apreciado apenas pela condução responsável da política macroeconômica. No governo ou à sombra dele, especializou-se na transmissão de informações privilegiadas e na advocacia de interesses escusos que muitas vezes iam parar nos famosos jabutis de artigos contrabandeados nas medidas provisórias. Especialidade que, depois, foi aprimorada pelo ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha.

A delação de Palocci não foge ao seu estilo. Ao seu jeito melífluo, espartalhão e enviesado de falar e pouco dizer. Muitas vezes sem dados objetivos para o que afirma. Mas nem tudo o que um corrupto confesso diz é imprestável. Muitos analistas já desconfiavam que as operações de combate à corrupção têm sido seletivas. Mais rigorosas com uns políticos do que com outros. Mais atentas aos deslizes de um setor econômico do que de outros. Agora, esses investigadores ficam na obrigação de seguir as trilhas indicadas por Palocci quanto aos esquemas do mundo financeiro. Na última 5ª feira, a operação realizada no BTG Pactual, do notório André Esteves, parece finalmente ter chegado a um setor até então poupado. A partir da afirmação de Palocci de que o então ministro Mantega passava informações privilegiadas a André Esteves e de que este mantinha contas específicas para favorecer Lula, seu partido e sua família. Ainda falta esclarecer os vínculos reais entre a gestão do Fundo Bintang com o BTG. Os indícios são de que os elevados lucros obtidos no período do cavalo de pau na política monetária têm a ver, por exemplo, com a antecipação feita por Mantega sobre a redução brusca da taxa de juros operada em agosto de 2011. Esse episódio pode ser apenas um entre tantos em que o BTG e outras instituições financeiras foram beneficiados com informações que não eram partilhadas com o conjunto dos operadores, aí incluídos os milhões de pequenos investidores na bolsa.

Essas denúncias de Palocci vêm no momento em que a série Billions, exibida na Netflix, faz grande sucesso. Nela, o megainvestidor Bobby Axelroad atinge os píncaros da acumulação financeira utilizando-se de informações privilegiadas obtidas por métodos corruptos. É implacavelmente caçado pelo promotor Chuck Rhoades, que busca avidamente a condenação de um grande tubarão das finanças. Ele que alimenta ambições políticas e incomoda-se com as acusações de que só lograva condenar peixinhos pequenos do Queens. As manipulações, os métodos corruptos e as armadilhas da alta finança são enfrentadas pelo promotor Rhoades e sua equipe. Que também jogam pesado. Ficam as perguntas. Há algo em comum entre personagens como André Esteves, Joesley Batista e Bobby Axelroad? Há diferenças entre o promotor Chuck Rhoades e o time de Sérgio Moro e Daltan Dellagnol?

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