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Opinião
Editorial País pouco competitivo

Publicado em: 15/10/2019 03:00 Atualizado em: 15/10/2019 09:16

O Brasil continua ocupando posição vergonhosa no ranking de competitividade global, como aponta recente levantamento do Fórum Econômico Mundial. Mesmo subindo um degrau na lista de 141 países pesquisados, o Brasil ocupa a 71ª posição no levantamento da entidade sediada na Suíça. O dado mostra a urgência de se discutir, com profundidade, o pacto federativo, do qual a reforma administrativa faz parte. A boa notícia é que o projeto para mudanças no setor de administração pública está sendo formatado pela equipe econômica do governo federal e deve ser colocado em discussão, no Congresso Nacional, depois da aprovação da reforma da Previdência.

As medidas previstas na reforma administrativa, como o fim da estabilidade em determinadas carreiras e cargos para os novos servidores públicos e avaliação por desempenho, são essenciais para a recuperação da combalida economia brasileira, que não consegue atingir taxas de crescimento adequadas. Também vão contribuir para a modernização do país e para o aumento de sua competitividade, num mercado global cada vez mais disputado.

Apesar das dificuldades econômicas atuais e da necessidade de o governo fazer os ajustes fiscais para o equilíbrio das contas públicas, a expectativa é de que, até 2022, o país esteja entre as 50 economias mais competitivas do mundo. A previsão é de que o avanço seja mostrado em 2023, quando será divulgado o Índice de Competitividade Global do Fórum Econômico Mundial referente ao ano anterior. E isso só será possível com a remoção de entraves existentes hoje. Exemplos não faltam, como o modelo de administração do governo em vigor, o intrincado sistema tributário e a burocracia que emperra os negócios e afugenta novos investimentos, fundamentais para a retomada da economia.

O próprio secretário especial de Produtividade, Emprego e Competitividade do Ministério da Economia, Carlos da Costa, reconhece que o Brasil não deveria estar no meio da pesquisa da entidade internacional. “Não faz sentido o Brasil ficar atrás de 70 países que são nossos competidores. Temos de melhorar nossa posição.” Pelo seu tamanho e peso na América Latina, não se pode aceitar que fique em oitava colocação na região, atrás de Panamá, Peru, Costa Rica, Colômbia, Uruguai e México. A melhor posição entre os latino-americanos cabe ao Chile, cuja economia é a mais aberta da América do Sul.

A pesquisa registra alguns avanços do Brasil, como dinamismo de negócios. Mas falta muito para que o país alcance patamar aceitável em competitividade global. E isso só será possível por meio da moderrnização das relações econômicas, que depende da aprovação de reformas como a previdenciária, a tributária e a administrativa.

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Resistência nordestina em cartaz

Diego Rocha *
Celebrando a resistência da arte nordestina e a arte nordestina de resistir, o 21º Festival Recife do Teatro Nacional está em cartaz na cidade para confirmar a vocação de um povo à resiliência e à criatividade. Até o próximo dia 24, a programação montada com muita assertividade pela Prefeitura do Recife irá apresentar 12 espetáculos em vários teatros da cidade, entre eles seis montagens nacionais jamais vistas na capital do Nordeste.
Mas não está toda no ineditismo a urgência que esses espetáculos carregam. Mas também e principalmente na referência e reverência que muitos fazem à estética e às temáticas fincadas no árido solo fértil do Nordeste. Alguns textos, como o da montagem Ariano %u2013 O Cavaleiro Sertanejo, da companhia carioca Os Ciclomáticos sequer foram produzidos no Nordeste. Mas sabem, bebem e comungam do povo que somos. Foram buscar inspiração em autores ensolarados como Ariano Suassuna e os tantos tipos e símbolos que ele fundou e transportou do imaginário nordestino para o mundo.
Há na programação citações ainda mais explícitas à nossa produção teatral. Parido do punho do próprio Ariano, em carne e pena, o clássico Auto da Compadecida chega ao Festival com sotaque mineiro, numa belíssima montagem do Grupo Maria Cutia, com a direção cênica precisa e sensível de Gabriel Villela, que conseguiu unir a cultura do cangaço pernambucano ao barroco mineiro, sem sair da trilha aberta pelo Movimento Armorial de Ariano.
São montagens que nos representam e, ao mesmo tempo, nos apresentam a nós mesmos, além de nos hastear bandeira a congregar territórios artísticos, afetivos e cívicos, num país assombrado e repartido por um projeto de poder excludente. Em cima e embaixo dos palcos, durante e depois do 21º Festival Recife do Teatro Nacional, que a arte e a força nordestina persistam farol aceso a nos guiar.

* Presidente da Fundação de Cultura Cidade do Recife

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