Diario de Pernambuco
Diario de Pernambuco
Opinião
11 de agosto: dia do advogado e do estudante

Giovanni Mastroianni
Advogado, administrador e jornalista
opiniao.pe@diariodepernambuco.com.br

Publicado em: 12/08/2019 03:00 Atualizado em: 12/08/2019 09:38

Enquanto os advogados, em 11 de agosto, comemoram o seu dia, os estudantes, igualmente, festejam, na mesma data, suas efemérides, que ocorrem há 192 e 92 anos, respectivamente, no País. Até o período imperial, o Brasil não contava com cursos jurídicos e os estudantes interessados em bacharelar-se em direito não dispunham de um estabelecimento na especialidade, sendo obrigados a se deslocar para outros países da América Latina, que, desde o período de suas colonizações, tiveram implantadas as universidades com cursos especializados em ciências jurídicas e sociais.

Coube ao imperador Dom Pedro I, no transcorrer do quinto ano da independência, por Carta de Lei, decretar a implantação das primeiras Faculdades de Direito, sendo pioneiras as de São Paulo, na capital paulista, mais propriamente no Largo de São Francisco e, no Mosteiro de São Bento, em Olinda, no Estado de Pernambuco, em dependências cedidas pelos monges beneditinos, constituindo-se em um acontecimento de tão grande importância para a cidade, que, suas comemorações duraram três dias, tríduo em que a urbe olindense permaneceu toda iluminada.

Posteriormente, foi transferida para a capital, 27 anos após sua instalação oficial, ocupando, inicialmente, um velho casarão da Rua do Hospício, transferindo-se, depois, para a Praça Adolfo Cirne, surgindo, assim, a tradicional Faculdade de Direito do Recife, onde funciona até os dias atuais,  Por lá, entre as mais ilustres   personalidades, passaram Joaquim Nabuco, Tobias Barreto. Castro Alves, Sílvio Romero, Raul Pompéia, Epitácio Pessoa, Assis Chateaubriand, José Lins do Rego, Graça Aranha, João Pessoa, Capisstsrano de Abreu, Martins Júnior e Pontes de Miranda. Também outros, aqui não citados, que se tornaram famosos. Na de São Paulo cursaram alguns presidentes da República, como Prudente de Moraes, Campos Sales, Rodrigues Alves, Afonso Pena, Venceslau Brás, Rodrigues Alves, Delfim Moreira, Artur Bernardes, Washington Luís e Jânio Quadros.

Também, personagens como os poetas Álvares de Azevedo, Augusto de Campos, Alphonsus de Guimarães, Augusto de Lima, Fagundes Varela, Olavo Bilac, Guilherme de Almeida, Haroldo de Campos, Raimundo Correa e, também, Castro Alves e Raul Pompéia tiveram uma passagem por lá. Além do famoso romancista José de Alencar, escritores como Monteiro Lobato, Alcântara Machado e Bernardo Guimarães..

E a homenagem aos estudantes? Esta teve início em 1927, nos exatos cem anos após a criação dos cursos jurídicos no Brasil. A iniciativa partiu do advogado Celso Grand Ley, quando  participava de comemorações em homenagem aos advogados. A sugestão logo foi aprovada pelos seus colegas, cuja finalidade maior foi dar maior alcance à data, abrangendo a classe estudantil, ideia que logo foi aprovada pelos advogados presentes e bem aceita inclusive pelos ausentes.

Faço, nesta ocasião, um registro especial  à  Faculdade de Direito de Caruaru, criada há exatos 60 anos, pioneira das Faculdades de Direito do interior nordestino   e que tive a honra de ser seu primeiro secretário, fazendo jus, quando de suas recentes comemorações em ser incluído entre seus homenageados, recebendo belo troféu, que guardarei com carinho junto aos demais que jê me foram outorgados.

Entenda os riscos da escoliose para saúde
Primeira Pessoa com Bione
Sobre Vidas: Nivia e o empoderamento de mulheres no Coque
DP Auto na Tóquio Motor Show - Tudo sobre a Nissan

Resistência nordestina em cartaz

Diego Rocha *
Celebrando a resistência da arte nordestina e a arte nordestina de resistir, o 21º Festival Recife do Teatro Nacional está em cartaz na cidade para confirmar a vocação de um povo à resiliência e à criatividade. Até o próximo dia 24, a programação montada com muita assertividade pela Prefeitura do Recife irá apresentar 12 espetáculos em vários teatros da cidade, entre eles seis montagens nacionais jamais vistas na capital do Nordeste.
Mas não está toda no ineditismo a urgência que esses espetáculos carregam. Mas também e principalmente na referência e reverência que muitos fazem à estética e às temáticas fincadas no árido solo fértil do Nordeste. Alguns textos, como o da montagem Ariano %u2013 O Cavaleiro Sertanejo, da companhia carioca Os Ciclomáticos sequer foram produzidos no Nordeste. Mas sabem, bebem e comungam do povo que somos. Foram buscar inspiração em autores ensolarados como Ariano Suassuna e os tantos tipos e símbolos que ele fundou e transportou do imaginário nordestino para o mundo.
Há na programação citações ainda mais explícitas à nossa produção teatral. Parido do punho do próprio Ariano, em carne e pena, o clássico Auto da Compadecida chega ao Festival com sotaque mineiro, numa belíssima montagem do Grupo Maria Cutia, com a direção cênica precisa e sensível de Gabriel Villela, que conseguiu unir a cultura do cangaço pernambucano ao barroco mineiro, sem sair da trilha aberta pelo Movimento Armorial de Ariano.
São montagens que nos representam e, ao mesmo tempo, nos apresentam a nós mesmos, além de nos hastear bandeira a congregar territórios artísticos, afetivos e cívicos, num país assombrado e repartido por um projeto de poder excludente. Em cima e embaixo dos palcos, durante e depois do 21º Festival Recife do Teatro Nacional, que a arte e a força nordestina persistam farol aceso a nos guiar.

* Presidente da Fundação de Cultura Cidade do Recife

Galeria de Fotos
Grupo Diario de Pernambuco