"O Brasil é sempre o Brasil": Cafu avalia Seleção de Ancelotti e defende Neymar
Ex-lateral, que fez história sob o comando de Carletto no Milan, projeta o torneio norte-americano e analisa a transição tática e mental do elenco brasileiro
Publicado: 04/06/2026 às 16:37
"O Brasil é sempre o Brasil": Cafu avalia Seleção de Ancelotti e defende Neymar. (Foto: Rafael Vieira/DP Foto)
A Seleção Brasileira não chega tão desacreditada para a Copa de 2026 como muitos apontam, pelo menos é o que garante o tetra e pentacampeão mundial com a amarelinha, Cafu.
O ex-jogador, que foi capitão em 2002, disse em entrevista ao Diario de Pernambuco que não enxerga paralelos com o grupo de 1994, apesar de o jejum de 24 anos sem títulos ser igual ao período entre o tricampeonato de 1970 e o tetra.
"O Brasil chega como uma grande equipe, com um potencial muito grande. É completamente diferente de 94, quando nos classificamos na última partida, naquele jogo histórico no Maracanã. Ali sim existia uma desconfiança muito grande em relação à Seleção Brasileira", compara Cafu. "Essa tem algo diferente: já se classificou com quatro jogos de antecedência. É uma equipe que teve a mudança de vários treinadores, e isso atrapalhou bastante o trabalho, mas o Brasil é sempre o Brasil. Quando se fala de Copa do Mundo, é um país a ser sempre respeitado", completou.
A aposta em Ancelotti para quebrar o jejum de 24 anos
Brasil e Itália têm uma relação muito próxima na história do futebol. Em 1994, quando a Seleção conquistou o tetra, a final aconteceu justamente contra os italianos, nos Estados Unidos, encerrando o maior jejum do país sem Copas — de 24 anos.
Agora, em 2026, Carlo Ancelotti, um italiano, é o comandante da Canarinha em um Mundial que volta a ser disputado nos EUA, justamente quando o Brasil repete a sua maior seca de títulos no torneio.
As coincidências históricas, no entanto, não fazem tanta diferença para Cafu.
"Ganhar a Copa do Mundo é ótimo, independentemente de quem esteja lá. Claro que com um italiano vai ser ótimo. Quando se fala em um italiano, você fala de um treinador das maiores potências do futebol mundial. Você fala de um treinador com um gabarito muito grande, com todas as conquistas que o Ancelotti teve", enfatiza o ex-jogador.
O lateral-direito é um dos brasileiros que fizeram história sob o comando de Ancelotti, seu técnico entre os anos de 2003 e 2008 no Milan, da Itália. No time rossonero, eles conquistaram, entre outras taças, o Campeonato Italiano (2003/04), a Champions League (2006/07) e o Mundial de Clubes da Fifa (2007).
Com a experiência de conhecer bem Carletto, Cafu acredita que o italiano tem as ferramentas para conquistar o hexacampeonato.
"O que nós esperamos dele é o que todo o povo brasileiro espera: que ele traga o Hexa para o Brasil. O Ancelotti foi contratado com essa responsabilidade de trazer o hexacampeonato para o nosso país. Nós sabemos da batalha que é, não é fácil, mas ele tem plenas condições de fazer com que o Brasil traga essa taça para casa", avalia.
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A situação de Neymar e a liderança dividida na Seleção
Um dos tópicos mais discutidos da convocação de Carlo Ancelotti, anunciada em 18 de maio, era a ida de Neymar entre os 26 convocados. Em recuperação de uma lesão de grau dois na panturrilha, o camisa 10 do Brasil desfalca a equipe no último amistoso preparatório para a Copa, contra o Egito, neste sábado (6).
Para focar na sua recuperação, o atacante não viajou com a delegação para Cleveland, local onde será disputada a partida, e ficará na base da equipe em Nova Jersey.
"Ele ficará em Nova Jersey, em tratamento de fisioterapia e intensificando a programação de recuperação física", detalhou a entidade em comunicado oficial.
A expectativa é de que ele esteja apto para jogar a partir do segundo jogo da fase de grupos, contra o Haiti, em 19 de junho.
Sobre o tema, o capitão Cafu acredita que Neymar tem plenas condições de ajudar o Brasil na conquista do hexacampeonato.
"Todos os 26 jogadores que estão na Seleção Brasileira têm condições de liderar o Brasil rumo ao hexacampeonato. O Neymar é um deles. É um jogador experiente, já vai para a sua quarta Copa do Mundo, tem um gabarito imenso e traz uma responsabilidade muito grande nas costas", argumenta.
O ex-lateral aponta, por outro lado, que a responsabilidade nas costas do camisa 10 tem que ser dividida.
"Mas hoje, essa responsabilidade dele é dividida com todos os jogadores que ali estão, que já foram campeões nos seus clubes. Então, acho que quando você divide uma responsabilidade, tratando-se de Copa do Mundo, fica mais fácil até para o Neymar", ressaltou Cafu durante evento da Ferreira Costa.