Seleção Brasileira
COPA DO MUNDO

Guia da Copa 2026: Ancelotti é o homem para acabar com o jejum da Seleção Brasileira?

No comando da Seleção Brasileira há mais de um ano, Ancelotti busca fazer história na América do Norte em 2026

Igor Fonseca

Publicado: 01/06/2026 às 06:00

Guia da Copa 2026: Ancelotti é o homem para acabar com o jejum da Seleção Brasileira? /Foto: Rafael Ribeiro/CBF

Guia da Copa 2026: Ancelotti é o homem para acabar com o jejum da Seleção Brasileira? (Foto: Rafael Ribeiro/CBF)

A maior seleção da história. Um dos treinadores mais vencedores do futebol. Itália e Brasil. Este é o casamento entre Seleção Brasileira e Carlo Ancelotti, selado em maio de 2025 e estendido até a Copa de 2030.

A conquista do hexacampeonato nos gramados norte-americanos colocaria Ancelotti em um patamar isolado. Além de resgatar a hegemonia brasileira, ele se tornaria o único treinador estrangeiro a guiar uma seleção ao título máximo da FIFA.

CARREIRA DE ANCELOTTI

Acostumado a trabalhar sob pressão, passando por clubes como Bayern de Munique, Chelsea, Milan e Real Madrid, Carletto tem uma galeria de troféus recheada.

No currículo de Ancelotti está o peso de ser o treinador com mais títulos da Champions League, troféu que ergueu cinco vezes. O italiano foi campeão da competição de clubes mais disputada do mundo nas temporadas 2002/03 e 2006/07 com o Milan, e em 2013/14, 2021/22 e 2023/24 comandando o Real Madrid.

Em se tratando de Liga dos Campeões, Ancelotti também comandou o clube madrilenho na campanha que trouxe o troféu de 'La Décima', encerrando um jejum histórico de 12 anos do time da capital espanhola.

A lista de feitos do italiano não para por aí. Ele enfileirou troféus por onde passou, sagrando-se campeão das ligas dos principais países europeus: Alemanha, Espanha, França, Inglaterra e Itália.

Considerado um líder tranquilo e de grupo, o técnico comandou vários jogadores brasileiros ao longo de sua carreira, como Kaká, Ronaldo Fenômeno, Rivaldo, Thiago Silva e Cafu. Mais recentemente, no Real Madrid, Casemiro, Endrick, Marcelo, Rodrygo, Vinícius Júnior e Éder Militão obtiveram sucesso com Ancelotti como seu treinador.

A NOVELA ANCELOTTI

Por esses (e outros) motivos, o ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) Ednaldo Rodrigues começou a 'caça por Ancelotti' ao fim da Copa de 2022.

Com a saída de Tite, Ednaldo buscava um treinador estrangeiro para assumir o Brasil e a ideia de ter Ancelotti era o sonho desenhado pelo presidente. A história, no entanto, teve suas idas e vindas, como uma boa novela italiana.

Em julho de 2023, Ednaldo dava como certa a chegada de Ancelotti à Seleção Brasileira. Por isso, anunciou Fernando Diniz como treinador interino da Amarelinha, cargo que ele, inclusive, dividia com o de técnico do Fluminense.

A realidade, no entanto, foi outra. O treinador renovou com o Real Madrid e, na temporada seguinte, conquistaria a Champions League de 2023/24. Com contrato em vigência e recém-campeão da Liga dos Campeões, Ancelotti não deixaria o comando do Real no meio de uma campanha.

Neste meio-tempo, o Brasil, sem poder esperar pelo 'sim' do italiano e com o 'experimento Diniz' falhando, buscou Dorival Júnior, que passou cerca de um ano no cargo, entre janeiro de 2024 e março de 2025, amargando derrotas dolorosas nas Eliminatórias contra a Argentina e uma eliminação nos pênaltis para o Uruguai na Copa América.

Após a demissão de Dorival, o caminho estava livre novamente para que o casamento entre Seleção Brasileira e Ancelotti acontecesse. Desta vez, o sonho foi realizado e, em 26 de maio de 2025, ele se tornou o primeiro treinador estrangeiro a comandar a Amarelinha.

O plano era claro: arrumar a casa que estava bagunçada e ir em busca do hexacampeonato na América do Norte.

Já consolidado no comando da Seleção Brasileira, Ancelotti consertou um time que estava longe de ter uma coesão dentro de campo, mas ainda sem muito brilhantismo.

Ao todo, são 10 jogos com Amarelinha que ainda não inspiram tanta confiança para o hexa. O trabalho, no entanto, já rendeu ao italiano uma renovação até a Copa de 2030.

Com Ancelotti, o Brasil venceu cinco partidas, empatou duas vezes e perdeu em três ocasiões. A atuação que mais ligou o alerta foi diante da França, em um dos últimos amistosos preparatórios para o torneio de 2026.

Para a Copa, Ancelotti tem uma gama de desfalques que também é um ponto de preocupação: Éder Militão, Estêvão e Rodrygo ficam de fora do Mundial devido a lesões.

 

 

COMEÇO DA ERA ANCELOTTI

O mérito do italiano neste período foi encontrar o equilíbrio entre o pragmatismo tático europeu e o DNA ofensivo do futebol brasileiro. Sem vaidades, o treinador costuma resumir sua filosofia de trabalho afirmando que tem que existir uma estabilidade entre defesa e ataque.

"Acho que os últimos dois mundiais que o Brasil ganhou, ganhou por uma fantástica conexão entre o talento e o aspecto defensivo. A história fala muito claro. O Brasil, para ganhar o Mundial, tem que ter talento, e temos, e também defender bem. Não há outra via. Só jogo ofensivo, não estou convencido. Copa do Mundo ganha quem leva menos gols, não quem faz mais", afirmou Ancelotti em entrevista coletiva.

Esta realidade já é refletida em números. Em comparação com a 'Era Dorival', a Seleção de Ancelotti já conseguiu diminuir a média de gols sofridos por partida na Amarelinha, além de aumentar a produção ofensiva.

Com Dorival, a defesa era vazada, em média, mais de uma vez por partida (1,31), número que caiu para 0,80 sob o comando de Ancelotti. E o resultado dessa maior solidez defensiva não sacrificou o setor ofensivo, com o ataque ficando inclusive mais produtivo (saltando de 1,69 para 1,80 gol marcado por jogo).

Este impacto está diretamente ligado ao retorno de Casemiro para o centro do meio-campo brasileiro, além da manutenção e estabilização da zaga com dois dos melhores zagueiros do mundo: Gabriel Magalhães e Marquinhos.

Agora, Ancelotti tenta solucionar o problema Neymar e Vinícius Júnior. Com a convocação do camisa 10 do Santos, o italiano buscou apaziguar a torcida brasileira, apesar de já ter garantido ao craque que ele não será titular incontestável na equipe.

Vinícius, por outro lado, ainda busca a melhor forma com a camisa da Seleção e o italiano é o homem mais indicado para arranjar uma solução.

O contraste de desempenhos é evidente: enquanto no clube merengue ele marca um gol ou dá assistência a cada 119 minutos, com a amarelinha Vini precisa de 205 minutos.

Na temporada 23/24, que acabou com o Real Madrid campeão da Champions League sob o comando de Carletto, Vini teve um ano memorável, marcando 24 gols e dando 11 assistências em 39 jogos disputados.

O questionamento fica para ser respondido no solo da América do Norte até o dia 19 de julho — data da grande final — ou até na próxima Copa: Ancelotti vai fazer história com a Seleção Brasileira, acabando com um jejum de 24 anos, ou essa novela vai ter um fim melancólico?

Mais de Seleção Brasileira

Últimas

WhatsApp DP
Mais Lidas

WhatsApp DP