Beto Lago: 'Vitória suada, mas que mantém o Náutico na liderança'
O time alvirrubro venceu o Decisão de virada, com gols de Jonas Toró e Felipe Saraiva
Publicado: 15/01/2026 às 03:58
O Náutico venceu o Decisão de virada, em partida pela 2ª rodada do Pernambucano (Rafael Vieira/ CNC)
Vitória suada
Do Trio de Ferro da Capital, o Náutico foi quem largou melhor no Estadual, mas a atuação de ontem passou longe de empolgar. A virada sobre o Decisão, por 2x1, na Arena de Pernambuco, foi construída com sofrimento excessivo e só se sustentou graças ao banco de reservas e a uma atuação decisiva de Muriel. O primeiro tempo foi um retrato do nervosismo alvirrubro. A ansiedade em “resolver logo” matou qualquer organização coletiva. Sem profundidade, sem ideias e com pouca inspiração na criação, o Timbu resumiu seu repertório a bolas alçadas na área, apostando mais no acaso do que na construção. João Gabriel, bem mais seguro do que contra o Santa Cruz, pouco trabalhou. Enquanto isso, a afobação abriu espaços. O Decisão percebeu e foi cirúrgico: contra-ataque bem desenhado por Kaio Bahia, passe para Kauan Diego e finalização fria, explorando a saída de Muriel. Vaias ao fim do primeiro tempo, absolutamente compreensíveis. O cenário pouco mudou na volta do intervalo. Mesmo tentando trabalhar mais a bola, o Náutico seguiu vulnerável, oferecendo campo para o Decisão atacar. A diferença veio do banco. As entradas de Felipe Saraiva, Samuel Otusanya e Jonas Toró deram agressividade e mobilidade a um ataque até então previsível. Aos 23, Saraiva empatou. Aos 31, Toró virou. A partir daí, o Timbu recuou, tentou administrar e quase pagou caro por isso. Muriel foi decisivo, com três grandes defesas, evitando o empate. Vitória suada, longe do ideal, mas estratégica para manter o Náutico na parte de cima da tabela e chegar com algum lastro emocional para o clássico contra o Sport, domingo, nos Aflitos.
Em Bonito, sob campo pesado e calor forte, o Santa Cruz ficou no empate com o Maguary. O resultado poderia ter sido pior não fosse a atuação de Rokenedy, especialmente na segunda etapa. No papel, o ponto fora de casa pode até ser contabilizado como positivo. Na prática, o desempenho preocupa e muito. São dois jogos e um padrão que se repete de forma incômoda.
Bagunça tática
O Santa Cruz voltou a exibir o futebol desorganizado do fim da Série D: bagunça tática, pouca criação, linhas desconectadas e erros individuais, sobretudo na defesa, sobrevivendo à custa do goleiro, o que nunca é sinal de solidez. Este início, somado ao rendimento abaixo do esperado de alguns reforços, acende um alerta claro. E o problema não é apenas resultado. É identidade. E, até aqui, o Santa Cruz não sabe mostrar exatamente o que quer ser em campo.
Pedindo passagem
Poucos apostavam na vitória do Sport sobre o Retrô. Os garotos do Leão mostraram que podem entregar muito mais ao clube. Agora, é aproveitar os talentos que já pedem passagem para, inclusive, integrar o elenco profissional. O jogo ainda teve um detalhe: o gol de Lipão, em um chute ousado antes da linha do meio-campo, com a falha inacreditável do goleiro Paulo Ricardo.