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Pesquisador lança livro no Recife com ensaio inédito sobre história e fundamentos da música armorial

Livro do autor pernambucano Carlos Eduardo Amaral investiga a música armorial, seus principais nomes e os desdobramentos do movimento

Allan Lopes

Publicado: 14/08/2026 às 06:00

Carlos Eduardo Amaral é autor do ensaio que analisa a música armorial desde suas primeiras experiências/Foto: Lucas Emanuel

Carlos Eduardo Amaral é autor do ensaio que analisa a música armorial desde suas primeiras experiências (Foto: Lucas Emanuel)

O que faz uma música soar armorial? A partir dessa provocação, o jornalista, escritor e pesquisador pernambucano Carlos Eduardo Amaral percorre diferentes momentos da produção musical ligada ao movimento no livro “À Guisa de Arcadas de Rabeca e Ponteados de Viola: Ensaio Sobre a Música Armorial”.

O lançamento acontece neste sábado (15), às 15h, na Academia Pernambucana de Letras, com entrada gratuita. Na ocasião, 200 exemplares serão destinados ao público mediante preenchimento de formulário online disponível em @musicaarmorial, perfil do autor no Instagram.

Ao longo de 71 páginas, o ensaio investiga a música armorial desde sua criação, que passa pela fundação da Orquestra Armorial, em 1970, e pela atuação fundamental de Ariano Suassuna na concepção do movimento. “Por muito tempo, a música armorial foi mais tocada e propagada do que estudada”, explica Carlos Eduardo em entrevista ao Diario.

A pesquisa também recupera os antecedentes conceituais do movimento, com o “Manifesto Regionalista de 1926”, de Gilberto Freyre, e o “Ensaio sobre a música brasileira”, de Mário de Andrade, além de destacar a contribuição decisiva do compositor fluminense César Guerra-Peixe, que teve suas convicções musicais radicalmente modificadas após residir três anos no Recife.

Outro aspecto importante para compreender a música armorial está nas divergências entre a Orquestra Armorial e Ariano Suassuna. A primeira adotava uma formação de camerata barroca, conjunto instrumental baseado principalmente em cordas, com flautas, percussão nordestina e, eventualmente, cravo ou viola nordestina.

Ariano, por outro lado, defendia uma formação mais compacta e próxima dos instrumentos populares, sobretudo a rabeca e o pífano. A discordância levou o escritor a reunir músicos mais jovens e formar o Quinteto Armorial. “Com isso, a música armorial estabeleceu em seus primórdios dois paradigmas musicais, que eventualmente viriam a se permear”, explica o autor.

As obras difundidas pela Orquestra Armorial e pelo Quinteto Armorial seguem sendo executadas, especialmente em Pernambuco. Ao redor desse repertório, também há uma produção que mantém diálogo com a estética armorial – ainda que alguns não se dediquem exclusivamente a ela – reunindo nomes como Sérgio Raz, Danilo Guanais, Aglaia Costa, Francisco Andrade, Stephen Bolis e Erik Pronk, além dos grupos Syntagma, Grupo Gesta, Madureira Armorial, Rosa Armorial e Quinteto Aralume.

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