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Trajetória de 30 anos em que o grupo SaGrama uniu a música erudita à popular ganha filme e livro

O lançamento do livro "SaGrama: Um Àlbum Por Escrito" e do filme "Na Pauta: SaGrama" acontece neste sábado (6), a partir das 17h30, no Paço do Frevo

Allan Lopes

Publicado: 04/06/2026 às 06:00

Referência da música instrumental pernambucana, grupo SaGrama será homenageado com livro e documentário/Foto: Lucas Emanuel

Referência da música instrumental pernambucana, grupo SaGrama será homenageado com livro e documentário (Foto: Lucas Emanuel)

Nascido de forma despretensiosa no pátio do Conservatório Pernambucano de Música, o SaGrama construiu uma das trajetórias mais bonitas da nossa música. Para eternizar esse legado que costura o erudito à cultura popular, o grupo recebe uma homenagem dupla neste sábado (6), a partir das 17h30, no Paço do Frevo: o lançamento do livro “SaGrama: Um Álbum Por Escrito”, assinado pelo jornalista Carlos Eduardo Amaral, e a exibição do curta-metragem “Na Pauta: SaGrama”, dirigido por Tell Aragão. A noite festiva no Bairro do Recife ainda terá bate-papo, pocket show e sessão de autógrafos.

Mais do que merecida, essa coleção de reconhecimentos está à altura de um grupo que, ao longo de mais de três décadas, ajudou a projetar a música instrumental nordestina a partir de uma leitura autoral das manifestações populares de Pernambuco. “É uma felicidade imensa ganhar esses registros sobre a nossa caminhada”, celebra o membro-fundador Sérgio Campelo, responsável por flauta, arranjos e direção artística, em entrevista ao Diario.

Após o evento de lançamento, a biografia de 212 páginas chega às principais livrarias pelo valor de R$ 85. Já o minidoc ficará disponível para acesso gratuito no canal do YouTube da Revista Continente.

As origens dessa jornada remontam aos anos 1990, no próprio Conservatório, onde o embrião do grupo surgiu como uma atividade prática entre três professores e alguns alunos. Inicialmente focado na vertente erudita de Villa-Lobos a Pixinguinha, o projeto funcionou como um laboratório experimental que, movido pela paixão pelas tradições locais, logo passou a incorporar a música nordestina.

A virada de chave e a oficialização do SaGrama, em 1995, contaram com o incentivo crucial do saudoso compositor Dimas Sedícias. “Ele disse: 'Sérgio, vocês têm uma sonoridade muito peculiar. Não é comum essa mistura de instrumentos eruditos diferentes’”, relembra o flautista.

Entre as memórias que o livro e o filme resgatam, um capítulo incontornável é a participação do SaGrama na trilha sonora do filme “O Auto da Compadecida” (2000), de Guel Arraes, logo após o álbum de estreia do grupo. É de autoria dos pernambucanos a icônica composição “Presepada”, que embala as traquinagens de João Grilo (Matheus Nachtergaele) e Chicó (Selton Mello).

“De repente, começamos a sair de Pernambuco, a viajar, a dar entrevistas para grandes veículos de televisão, rádio e jornal. Muitas vezes, a gente ia para participar de um programa e já aproveitava para fazer algum espetáculo. Foi tudo muito rápido e aquilo mudou completamente a nossa vida”, diz Sérgio.

Mas o sucesso do filme foi apenas um capítulo de uma história que ganhou o país. Ao longo de três décadas, o SaGrama consolidou uma identidade única na música instrumental, construindo uma discografia que já soma 10 álbuns e turnês pelo Brasil e pela Europa.

Biografia "SaGrama: Um Àlbum Por Escrito" é assinada por Carlos Eduardo Amaral - Foto: Divulgação
Biografia "SaGrama: Um Àlbum Por Escrito" é assinada por Carlos Eduardo Amaral (crédito: Foto: Divulgação)

“São expressões com mais de cem anos de história, que continuam se transformando e apresentando variações importantes. Para a gente, isso é uma fonte inesgotável de informação, pesquisa e criação”, comenta o músico. O reconhecimento também veio através de prêmios, como o troféu de Melhor Álbum no Prêmio da Música Brasileira de 2016 e uma indicação ao Grammy Latino no ano seguinte.

Por muito tempo, o conjunto se estruturou em três instrumentistas de sopro, três de corda e três de percussão. Mais recentemente, durante as celebrações dos 30 anos, a formação foi ampliada para dez integrantes, com um reforço na percussão. Além de Sérgio Campelo, o time reúne os fundadores Antônio Barreto (marimba, vibrafone e percussão) e Cláudio Moura (viola nordestina, violão, arranjos e codireção), ao lado de Crisóstomo Santos (clarinete e clarone), Ingrid Guerra (flautas), Aristide Rosa (violão), João Pimenta (contrabaixo acústico) e dos percussionistas Dannielly Yohanna, Isaac Souza e Tarcísio Resende.

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