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RELANÇAMENTO

Obras de Ariano Suassuna serão relançadas em edições especiais para celebrar o centenário do autor

A editora Nova Fronteira prepara uma série de edições especiais de obras de Ariano Suassuna, como "O Auto da Compadecida" e "Romance de João e Maria", para homenagear o centenário do autor, que será celebrado em 2027

Marcus Lopes - Especial para o Diario

Publicado: 14/07/2026 às 07:18

Ariano Suassuna no Teatro de Santa Isabel, no Recife, em 2010/Annaclarice Almeida/Acervo DP

Ariano Suassuna no Teatro de Santa Isabel, no Recife, em 2010 (Annaclarice Almeida/Acervo DP)

O coração do Brasil é o Nordeste. A declaração foi feita pelo escritor Ariano Suassuna a um jornal do Rio Grande do Norte, na década de 90, e ilustra sua relação com a região onde nasceu, cresceu e viveu a vida toda. Em 2027, o Nordeste e o Brasil irão celebrar os cem anos de nascimento de Suassuna, mas as comemorações, alinhadas ao espírito alegre e festeiro do homenageado, já começam no segundo semestre deste ano.

A editora Nova Fronteira prepara uma série de edições especiais da obra do autor de clássicos como “O Auto da Compadecida”, “Romance d’a Pedra do Reino” e “O Santo e a Porca”, entre outros. O primeiro título, previsto para chegar às livrarias em agosto, será “Romance de João e Maria: ou seja, os dois meninos do mato no labirinto do mundo”. Trata-se de uma adaptação do clássico conto dos irmãos Grimm, com a história ambientada no sertão nordestino.

Na obra, um cordel voltado ao público infantil, Suassuna transporta João e Maria da floresta europeia para a caatinga brasileira, incorporando elementos da tradição popular nordestina que marcam sua produção literária. A edição do centenário conta com ilustrações inéditas de Lucas Suassuna Wanderley, neto do autor, além de apresentação do pesquisador Carlos Newton Júnior, estudioso da obra do autor, e posfácio da escritora Ninfa Parreiras.

Para 2027, a Nova Fronteira, que pertence ao grupo Ediouro, prepara novas publicações e projetos dedicados à preservação e difusão da obra de Suassuna. Os detalhes da programação editorial e as obras que serão publicadas ainda estão sendo analisadas pela editora e a família do autor. No ano passado, a editora publicou uma edição comemorativa dos 70 anos de “O Auto da Compadecida”, em homenagem à peça lançada originalmente em 1955.

Em entrevista ao Diario, a diretora editorial do grupo Ediouro, Daniele Cajueiro, destaca a importância de Ariano Suassuna para a literatura brasileira. “Ariano recria a nossa identidade nacional, propondo a união perfeita entre a tradição oral do romanceiro popular e a alta literatura clássica”, diz ela.

Para a Nova Fronteira, explica Daniele, gerir o catálogo do autor significa assumir uma responsabilidade que vai muito além da dimensão comercial. “Diante de uma obra tão vasta e arquitetada, o papel da casa editorial é o de atuar como guardiã de um patrimônio nacional. Publicar Suassuna assegura solidez ao catálogo e, fundamentalmente, reafirma o compromisso institucional da editora com a preservação da memória literária e com a alta cultura brasileira”, afirma.

Poeta, dramaturgo, ensaísta, romancista e artista plástico, Ariano Vilar Suassuna nasceu na cidade da Paraíba – atual João Pessoa – em 16 de junho de 1927. Seu pai, João Urbano Suassuna, foi governador da Paraíba e deputado federal. Em meio às sangrentas batalhas políticas paraibanas ocorridas no período da Revolução de 1930, Urbano foi morto no Rio de Janeiro quando o pequeno Ariano tinha apenas três anos.

A partir de 1942, a família se fixou no Recife, onde Ariano deu início à sua longa trajetória de sucesso – mais de 30 livros, entre romances, ensaios e peças de teatro. Em 1990, tomou posse na Academia Brasileira de Letras (ABL). Pernambuco tornou-se sua casa definitiva até sua morte, aos 87 anos, em julho de 2014.

Outras homenagens estão sendo preparadas para o centenário. Em Campina Grande, na Paraíba, por exemplo, que terá a festa de São João do ano que vem inteiramente dedicada ao escritor. É justo. “A Paraíba é meu estado materno; Pernambuco, o paterno”, costumava dizer Suassuna.

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