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Autor de "Maracatu Atômico", Jorge Mautner lança livro de poemas no Recife e reforça laços com o Manguebeat

Jorge Mautner lança o livro "Poemas Selecionados" e faz pocket show no Paço do Frevo, no Recife, em evento que celebra seu legado e sua relação com o manguebeat

Allan Lopes

Publicado: 10/07/2026 às 06:00

Jorge Mautner é autor da emblemática faixa

Jorge Mautner é autor da emblemática faixa "Maracatu Atômico" (Foto: Cinthia Aquino)

“O mais discutido romancista da nova geração”. Foi assim que o Diario de Pernambuco apresentou Jorge Mautner aos leitores em 1966. Na época, aos 25 anos, ele iniciava sua carreira musical com um compacto das faixas "Radioatividade" e "Não, Não, Não”, ambas de sua autoria.

O artista carioca, consagrado na história da música brasileira, segue transformando suas inquietações em arte e agora estará no Recife para um pocket show e lançamento do livro "Poemas Selecionados”. O evento acontece neste domingo (12), às 16h, no 3º andar do museu Paço do Frevo, com ingressos já esgotados.

A publicação reúne 50 poemas escritos entre 2019 e 2021, quando o autor passou a compartilhar suas reflexões em vídeos nas redes sociais. Os textos mergulham em temas essenciais de sua trajetória intelectual, como os fenômenos da natureza, a experiência das emoções, as transformações globais, a longevidade e a proximidade da morte.

Esses temas ganham uma nova e poderosa dimensão para Jorge Mautner, hoje aos 85 anos. “As lembranças do passado se transformam com a proeminência do presente e a esperança do futuro”, comenta o artista em entrevista ao Diario.

Jorge Mautner é autor da emblemática faixa "Maracatu Atômico" - Foto: Cinthia Aquino
Jorge Mautner é autor da emblemática faixa "Maracatu Atômico" (crédito: Foto: Cinthia Aquino)

O encontro no Paço do Frevo também reforça os laços de Jorge Mautner com a cena musical pernambucana. Autor de "Maracatu Atômico", canção eternizada por Chico Science & Nação Zumbi, o artista estará ao lado dos próprios representantes e herdeiros dessa revolução dos anos 1990.

Além da cantora e atriz Cecília Beraba e dos músicos Juliano Holanda e Zeh Rocha, o pocket show terá as participações especiais de Fred Zero Quatro (vocalista da Mundo Livre S/A) e Louise França (filha de Chico Science). A noite termina com um debate mediado pelo jornalista Renato L., responsável por difundir e ajudar a conceituar o Manguebeat.

Porém, antes de virar hino com a Nação Zumbi, "Maracatu Atômico" já tinha uma longa e vitoriosa caminhada. O embrião da canção nasceu de uma memória de infância de Mautner, que presenciou um desfile de maracatu de baque virado, ou maracatu nação, nas festividades dos 400 anos de São Paulo, cidade onde se criou. Vinte anos depois, ele e Nelson Jacobina compuseram o clássico.

A obra veio a público no álbum homônimo “Jorge Mautner” (1974) e estourou no mesmo ano nas rádios de todo o país, quando Gilberto Gil a gravou em um compacto histórico, que trazia também “Preciso Aprender a Só Ser”.

A primeira execução de “Maracatu Atômico” em solo pernambucano aconteceu logo após o lançamento, quando Mautner participou do I Festival de Verão de Nova Jerusalém, em 1974. Na ocasião, o artista integrou um line-up histórico que incluía o próprio Gilberto Gil, além de Gal Costa, Toquinho, Quinteto Violado e Vinícius de Moraes.

“Embora distanciado fisicamente do nordestino, Jorge Mautner age com o maracatu como quem diz: 'Isto me diz respeito'. Uma música sua — 'Maracatu Atômico' — registra sua experiência com o ritmo, misturado, segundo ele, de elementos mais recentes que a música eletrônica propicia”, publicou o Diario na edição de 2 de fevereiro daquele ano.

Mais de duas décadas após sua criação, "Maracatu Atômico" ganharia uma segunda vida e se tornaria o maior sucesso comercial da carreira de Chico Science & Nação Zumbi. A regravação foi incluída em “Afrociberdelia” (1996) por sugestão do então diretor artístico da Sony Music, Jorge Davidson, que acreditava faltar ao álbum uma canção de maior alcance popular.

Gravada às pressas, depois de o disco já estar concluído, a interpretação de Chico Science apresentou tanto a composição quanto seu autor a uma nova geração de ouvintes. "Senti muita felicidade. A versão de Chico Science amplificou a obra", celebra Mautner.

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