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DRAMATURGIA

Com sessões no Recife, nova montagem de "O Auto da Compadecida" atualiza texto de Ariano Suassuna

: Peça "Auto da Compadecida - Uma Farsa Modernesca" adapta texto mais célebre de Ariano Suassuna, abrindo as celebrações do centenário do autor, que será comemorado em 2027

Allan Lopes

Publicado: 09/01/2026 às 06:00

"Auto da Compadecida - Uma Farsa Modernesca" traz novos sentidos à trama (Foto: Hans von Manteuffel/Divulgação)

Décadas antes de ser imortalizada no cinema em 2000, a história de João Grilo e Chicó já arrancava aplausos no teatro. Os personagens protagonizam "O Auto da Compadecida", obra-prima de Ariano Suassuna, que estreou em 1956, no Teatro de Santa Isabel, ainda como "A Compadecida". Nesta sexta-feira (9) e sábado (10), sempre às 20h, o mesmo espaço recebe uma montagem mais moderna da peça, em homenagem à Socorro Raposo, que foi a primeira e mais longeva intérprete da Compadecida, a quem deu vida também na aclamada adaptação dirigida por Marco Camarotti em 1991.

Intitulada “Auto da Compadecida - Uma Farsa Modernesca”, a nova montagem faz parte do Janeiro de Grandes Espetáculos, contando com mais cinco sessões em locais diferentes até o fim do festival. O projeto antecipa as comemorações do centenário de Suassuna, que acontecerá em 2027, misturando o universo da cultura popular com o teatro contemporâneo para narrar as confusões picarescas em Taperoá.

O grande destaque é o retorno da dupla Sóstenes Vidal e Williams Santanna aos emblemáticos papéis de João Grilo e Chicó, que foram imortalizados especialmente na clássica montagem de Camarotti. “A química é tão afinada que basta uma ação física em cena para que o outro complete”, exalta Williams em conversa com o Diario.

A direção fica a cargo de Eron Villar e Célio Pontes, cujas pesquisas artísticas exploram a intersemiótica e a interatividade. A montagem mantém o gênero farsesco e os elementos de moralidade para extrair uma crítica social atualizada por meio de questões que dialogam diretamente com o contexto político-social contemporâneo. Em linha com essa proposta, a peça estabelece uma relação estreita com o público, que, no terceiro ato, assume um lugar ativo e simbólico durante o julgamento das personagens, contribuindo para a democratização da narrativa.

Williams antecipa que esta será uma montagem distinta daquela de 1991, com um elenco renovado que aporta novos repertórios e camadas de sentido à obra. “O público vai encontrar o texto de Ariano Suassuna, escrito em 1955, mas vivido de maneira própria e peculiar, a partir do olhar desses dois encenadores vigorosos, criativos e generosos. Acredito que será uma relação muito insurgente e satisfatória com o público”, destaca o ator.

Seja nos palcos ou nas telonas, o sucesso de cada remontagem da saga de João Grilo e Chicó tem uma razão de ser. A obra captura, com humor e sagacidade, os mecanismos mais duros e reais da sociedade brasileira. “A obra dialoga com a distribuição perversa de riqueza no país, com a hipocrisia de figuras que ocupam lugares de autoridade e com o drible permanente que somos obrigados a dar na vida para sobreviver”, reflete Williams. Assim, surge a resiliência que ressoa no público. “Ainda assim, buscamos a alegria, driblamos essas ameaças e seguimos vivendo, tentando ser felizes e alcançar nossos objetivos”.

MAIS SESSÕES

Após as apresentações deste fim de semana no Santa Isabel, onde os ingressos custam R$ 100 (inteira) e R$ 50 (meia), “Auto da Compadecida - Uma Farsa Modernesca” vai subir ao palco do Cineteatro Samuel Campelo, em Jaboatão dos Guararapes nos dias 28 e 29 deste mês, com ingressos a R$ 60 (inteira) e R$ 30 (meia). Na sequência, retorna ao Recife com duas sessões no Teatro do Parque nos dias 30 e 31 deste mês, com ingressos custando R$ 100 (inteira) e R$ 50 (meia). A temporada da peça no Janeiro de Grandes Espetáculos se encerra no Sesc Ler Goiana no dia 3 de fevereiro, com ingressos a R$ 60 (inteira) e R$ 30 (meia).

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